14.10.07
O PROFESSOR ARMADO
Na cidade de Melford, no Estado americano do Oregon, uma professora solicita na Justiça o direito de portar arma de fogo, ao dar aula em uma escola pública. Shirley Katz teme um novo ataque, como o de Columbine – uma escola que foi metralhada por dois alunos, que invadiram o prédio e fizeram uma chacina, com 12 mortos, entre eles um professor e diversos feridos.
E o Brasil? E os professores brasileiros em escolas públicas, principalmente, na periferia, que têm o cabelo queimado ou são agredidos com socos e pontapés, ameaçados de morte ou com a destruição de seus patrimônios materiais e sua integridade física?
Muitos desses casos são relatados pela imprensa e outros nem se toma conhecimento, em função da banalidade que fatos como esses assumiram. Assassinatos de alunos e professores, por questões de tráfico de drogas, por uma nota baixa, por uma advertência verbal, põem em risco a vida dos mestres, não somente nas grandes cidades. Claro, a solução não é armar o professor!
Atitudes como essas são um forte indicador de que a Educação passou da Família para a escola, sem estrutura para isso e que deveria, exclusivamente, instruir o alunado e coadjuvar a sua educação, corroborando princípios e valores morais aprendidos na família.
Mas que família? A desestruturada pela miséria e pela pobreza indigente, de pais alcoólatras e/ou consumidores de drogas, sem emprego, eles mesmos sem educação alguma, desconhecendo o mínimo dignidade como seres humanos? A família atual, em sua grande maioria, não importa a classe social, faz da escola um depósito de meninos e meninas, carentes de todos os tipos e de tudo.
Há desses pais que entregam seus filhos à própria sorte, com as tradicionais frases, que, em resumo, querem significar que não se “intrometem” na vida dos filhos, para não lhes tolher a liberdade. Posições essas que os exime de qualquer trabalho com a educação em família, de vez que é muito desgastante esse papel de orientador dos menores de idade, deixando os filhos fazerem o que quiserem, em nome de uma falsa psicologia.
Que atitude pedagógica pode tomar uma escola, principalmente pública, diante de educandos que chegam desorientados, viciados em drogas proibidas por lei e em outras drogas da sociedade de consumo?
Nenhuma ou quase nenhuma, a não ser alimentar, com merenda escolar, os famintos e dar algum caminho àqueles poucos mais suscetíveis a uma orientação dos mais velhos e, ainda, não impregnados pelo comportamento criminoso. Esses que vão armados com revólveres e pistolas para o recinto das escolas.
Saraiva Filho
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