12.10.07
APENAS UMA PAUSA, RENAN?
Um longo suspiro. Seria uma pausa? Que conseqüências podem advir da licença, por 45 dias, do Presidente do Senado? É nítida, até para quem não participa das entranhas do Poder, que um grande acordo foi fechado, para o afastamento temporário do Sr. Renan Calheiros, do comando do Congresso Nacional.
A grande evidência disso está nas palavras do Presidente Lula, quando disse, logo após a retirada estratégica daquele senhor, que o problema era do Congresso e o Congresso o resolveu. Fica evidente exatamente o contrário – que político sempre afirma pelo avesso – ou seja, que o Palácio do Planalto se intrometeu, propondo uma troca, que consiste: de um lado ocorre a licença, acalmando os ânimos de muitos senadores com justa revolta, destrancando a pauta de votação e a aprovação da CPMF e, de outro, ocorrerá a presença de votos indispensáveis do PT, no julgamento do processo de cassação de Calheiros, contra a perda do mandato.
Tudo em nome da aprovação dessa excrescência que se chama CPMF. A idéia, até bem intencionada, na época, do então Ministro da Saúde Dr. Adib Jatene, foi adulterada ao longo do tempo e o que era para ser temporário ficou, escandalosamente, permanente. Além do mais, os recursos arrecadados com essa Contribuição foram desviados de sua exclusividade, que era a Saúde, pra outros fins menos nobres.
A população que desconta nos cheques 0,38 reais foi, então, tripudiada mais uma vez. E é esse o objeto da manobra política para a final permanência, no cargo, do presidente no Senado. Com isso, o povo foi enganado triplamente: a CPMF vai ficando permanente, cada vez mais; os recursos não são para a Saúde e a votação desse imposto insonegável, disfarçado de Contribuição, é objeto de barganha política.
Fica bastante clara essa dedução, quando se observa que até os líderes do PT e do PMDB, partidos aliados do governo, pedem o afastamento do reizinho todo-poderoso da presidência do Congresso.
A leitura desse fato está no disfarce de quem até então o apoiava, ser, repentinamente, contra ele, graças à existência de um prévio acordo do Executivo com o Legislativo.
Basta apenas a nós, cidadãos comuns, torcer para que algum atropelo ocorra durante o julgamento marcado, possivelmente, para o dia 2 de novembro. E, durante esse tempo o próprio Renan Calheiros meta os pés pelas mãos, ao comandar, de longe, o Senado. Porque isso vai ocorrer, com o senador Tião Viana na presidência interina daquela Casa Legislativa, tornando-se manipulado pelo chefe e pelo Planalto, por ser do PT.
Fora a evidência dessa troca de “favores”, falada acima, qualquer outra previsão é mera especulação jornalística.
Saraiva Filho
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