LiberdadeDaPalavra

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10.10.07

MAIS UMA DOS BUROCRATAS

Deveria estar em andamento, no Museu de arte Moderna –MAM, no Rio de Janeiro, uma exposição de fotos de Marilyn Monroe, inclusive com algumas delas revelando a atriz nua ou semi-nua. Um trabalho artístico, como o fez Andy Warhol, pintando rostos de Marilyn em seqüência, em um quadro e que ficou como um dos marcos da Pop Art., nos anos 60.

Agora, a exposição das 62 fotos nem chegou a ser aberta, de vez que o material fotográfico, conteúdo do evento, ficou retido na receita federal do Aeroporto de Cumbica, em São Paulo.

. Impedimento da liberação: não é arte, mas, possivelmente, material com conteúdo pornográfico. Algumas poses são sensuais, até mesmo podendo ser consideradas eróticas, mas a forma como foram clicadas demonstram a simples distinção entre uma fotografia descritiva, talvez considerada indecente, e outra com conteúdo artístico, coisa que, com certeza, os agentes da Receita desconhecem.

Os promotores da exposição entraram com uma liminar na justiça, pedindo a liberação das obras, devendo o impasse ser resolvido até o dia 10 deste mês. São fotos do acervo de Bert Stern, para a Exposição que se chamará “Mariliyn Monroe – o mito” e, com certeza, contará com um volumoso numero de fãs.

Esse fato, comum em algumas alfândegas pelo mundo, pela ignorância de conteúdo artístico de seus agentes, teve um rumoroso caso nos Estados Unidos. Obras do famoso e reverenciado escultor romeno Constantin Brancusi, considerado precursor da escultura abstrata, em 1925, teve um desfecho semelhante com a alfândega Americana. Uma de suas obras representada pelo formato de um ovo, em bronze, denominada L’Oaseaux dans l’Espace foi barrada por esse órgão do Governo estadunidense, sob a alegação de contrabando de bronze e o processo se arrastou por um longo tempo, até que fossem estabelecidos os parâmetros da escultura abstrata naquele país.

Nesse caso degradante e inusitado, felizmente, o escultor ganhou a causa, gerando jurisprudência quanto ao mérito da ação. Essa semelhança com o caso brasileiro recente das fotos do mito de Hollywood é mais um vexame, pelo desconhecimento artístico-cultural de nossas autoridades.

Colocam-se chefes de organismos governamentais, oriundos de camadas sociais menos favorecidas e ignorantes dos meandros da arte. Ficam, então, no comando de setores importantes de órgãos do governo brasileiro, sem o devido preparo para essa função, como aconteceu na América do Norte.

Enquanto não há o desembaraço das obras de arte, no caso as fotografias, o público esclarecido da Cidade Maravilhosa aguarda que a justiça, na pessoa de um juiz, saiba, pelo menos, distinguir o que é uma fotografia descritiva, às claras, e uma captura eivada de criação e imaginação artística, sob ângulos incomuns, revelando o talento na arte do fotógrafo.

São percalços que o artista e seus curadores estão sujeitos, em nome do desconhecimento de noções mínimas de arte, por quem deveria ter uma mentalidade mais aberta e um discernimento mais apurado, para identificar na arte, talvez a menos utilitária das invenções, porém a mais nobre das criações do homem.
                                                      Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    6:30 — Arquivado em: Sem categoria

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