LiberdadeDaPalavra

ARTIGOS sobre fatos políticos, econômicos e sociais. Liberdade, palavras e ações.

23.10.07

PRÊMIOS PARA A PINTURA

As artes plásticas em geral, incluídas aí a pintura em qualquer suporte e a pintura virtual, a escultura, o design, o web design e outras formas de criação com plasticidade, não têm, no Brasil, um festival com premiação de âmbito nacional, muito menos internacional. Caso o tenha, sua divulgação é bastante restrita ao meio artístico interessado, fato que o desqualifica de sua posição de importância e prestígio no país.

Existem concursos pontuais, adstritos a uma só localidade, com premiações valorizadas, sem a amplitude nacional de um verdadeiro festival, embora alguns usem esse termo. Nada parecido com a FILP, para a literatura, o festival de cinema de Gramado ou o de Brasília e alguns outros festivais de vídeo e cinema, com participação de artistas e cineastas latinos.

A carência brasileira para a divulgação, principalmente, das chamadas Belas Artes – a pintura e a escultura - faz com que, nessas áreas, o aspecto cultural seja deficiente. Esta espécie de arte vem sendo muito usada como instrumento de recuperação de portadores de necessidades especiais, em hospitais psiquiátricos, para programas de recuperação de viciados e para tirar meninos da rua em comunidades carentes, além de outras finalidades terapêuticas.

A referência, neste contexto, entretanto, é para A Arte, o objeto de arte, atividade e conteúdo que os filósofos têm tanta dificuldade em conceituar. Uma arte independente de objetivos utilitários e que tenha, como finalidade precípua, despertar emoção e sentimentos diversos nos espectadores.

Uma arte contemporânea, não porque é produzida nos últimos anos, ou seja, em função do tempo, não importa o que seja pintado ou esculpido. Mas uma produção artística que tenha o conteúdo de nosso tempo, daquilo que nos cerca, como, por exemplo, o aquecimento global e várias questões ambientais, o sentimento de repúdio às atitudes insanas do capitalismo selvagem, a reciclagem e muitos outros temas desta época de globalização, informática e alta tecnologia digital.

Em outros países da Europa e nos Estados Unidos há concursos com premiações de caráter internacional, referência relevante no currículo de artistas plásticos, no campo da pintura e da escultura. A tônica do governo federal, através do Ministério da Cultura é para a chamada cultura popular, onde se encontram artistas, reconhecidamente, com valor, principalmente, na música, no artesanato e nas manifestações populares, significativas para a Nação.

A iniciativa de promover festivais, exposições, concurso, etc., não deve ser só do poder público. A própria iniciativa privada, como fazem alguns Bancos, deveria criar e desenvolver essas atividades, nas diversas áreas da arte e, em especial, na pintura e na escultura, abandonadas, por serem consideradas artes de elite.

Que surja o Concurso de Pintura e Escultura brasileiro e se torne de envergadura internacional!
                                               Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    7:50 — Arquivado em: Sem categoria

22.10.07

CONTINUA O MISTERIOSO CASO MADELEINE

Herdamos de Portugal muitos costumes e toda uma cultura, contendo coisas muito positivas, interessantes e salutares, mas absorvemos uma inhaca de burocracia, que vem desde as capitanias hereditárias a nossos dias, como se fosse uma tatuagem. Para tudo criamos um processo, um procedimento, um regulamento, na maioria das vezes, não seguido.

Essa concepção burocrática portuguesa se confirma agora, lá mesmo em Portugal, no caso da menina Madeleine MacCann. Para quem não está lembrado, de vez que desapareceu da mídia televisiva, trata-se do sumiço ou seqüestro ou homicídio de uma garotinha de 4 anos de idade. Ela estava no quarto de um hotel, onde dormia, com mais dois irmãos, enquanto os pais jantavam com amigos, a cem metros dali e, nessa ocasião, desapareceu, no dia 3 de maio, deste ano.

Nessa época, a família inglesa de Gerry e Kate MacCann passava férias na praia da Luz, no Algarve, região sul de Portugal. Esse fato foi “adotado” pela mídia, pelo que de inusitado possui, chegando a serem os pais acusados da morte da filha.

A confusão burocrática da polícia local foi tamanha, com várias pessoas designadas para desvendar esse mistério, que culminou com a descoberta, faz poucos dias, de que toda a atuação da polícia, até então, estava errada. Provas deixaram de ser recolhidas no quarto onde estava a menina e no carro alugado pela família, além da falta correta de cruzamento de dados.

Recentes relatórios da polícia local revelam que oficiais passaram os últimos quinze dias processando informações e pistas ignoradas pelos subordinados do ex-chefe das investigações, o Sr. Gonçalo Amaral. O novo encarregado do caso, Sr. Paulo Rabelo, se revoltou com a conduta irresponsável de seu antecessor e pretende renovar as investigações e refazer os exames forenses, além de promover novos.

Essa incompetência, essa inércia, esse descalabro e descaso ocorrem, com muita freqüência, no Brasil, onde as estatísticas mostram, de um lado, uma polícia mal equipada, mal paga, sem um serviço de inteligência eficaz, sem equipamentos modernos, dotados de novas tecnologias, em todos os Estados brasileiros.

De outro lado, a mesma polícia corrupta, negligente, compactuando com o crime organizado, escondendo suas falhas e suas deficiências, até por questão de hierarquia. Uma polícia que não inspira o sentimento de segurança na população, que, muitas vezes, a teme, pois nunca se sabe de qual lado ela está, se é que existe lado, embora se assemelhe a uma guerra civil.

Aqui, o caso de Madeleine deixou de ser notícia, diante de tantos meninos e meninas, adolescentes e adultos que somem, são baleados ou morrem, sem falar nos policiais vítimas do chamado fogo amigo, no combate aos crimes ocorridos, considerando que a ação preventiva é incipiente.

Na Europa ocidental, as agências de notícias não se cansam de se reportar a esse mistério do caso Madeleine, acostumados que estão à solução dos crimes, salvo contra alguns estrangeiros, como é o caso do eletricista brasileiro, na Inglaterra, com a autoria da própria polícia. 
                                                   Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    5:09 — Arquivado em: Sem categoria

20.10.07

DESFILES APELAM PARA SEIOS NUS

 
Depois dos anos 60, a publicidade sempre contou com o charme, a beleza e a elegância das mulheres, no marketing, para divulgar produtos no mercado. As mulheres, independente de conotações machistas, apresentam uma beleza mais atrativa para produtos comprados pelos homens.

Como a luta das mulheres por sua independência moral e econômica ainda está em curso, não sendo, portanto, um fato consumado, uma grande maioria depende dos homens econômica e socialmente, para seu sustento e formação da chamada identidade social.

O número de casais em que a mulher sustenta a casa vem aumentando, principalmente nas classes baixa e média ou há casos de em que ambos trabalham para manter a família. Nas classes mais altas, isso ocorre com muito pouca freqüência, onde as mulheres se permitem e gostam de ser dondocas, socialites, levando, muitas vezes, uma vida fútil.

Há situações em que isso é mascarado, por meio de participação em obras sociais ou de uma intelectualidade estéril, em que, apenas fazendo par com o marido, formam uma dupla viajada, que lê, assiste a filmes cult e participa de eventos culturais. Tudo em nome da atuação empresarial do marido, alavancando os negócios de sua empresa.

Como os maridos endinheirados participam dos desfiles de modas, como mais uma ocasião para fazer negócios, comprando lançamentos de estilistas famosos para suas mulheres, a simples moda se torna entediante.

Os produtos de moda, apresentados nos desfiles, mesmo nas coleções de inverno, precisam de um atrativo a mais para esses homens. Por outro lado, os comentários entre as próprias mulheres estavam arrefecendo, diante da mesmice nas passarelas.

Começaram a surgir, então, os modelos e as modelos mais sexys, com um toque de sensualidade mais evidente. O que se vê, hoje, nesses desfiles famosos são seios de fora, seja na roupa transparente, seja no “descuido” da modelo ao portar um decote mais ousado.

A nudez é importante para a liberdade do indivíduo, compõe o seu mundo pessoal e deve ser cultivada dentro de certos limites que a própria sociedade vai dando e que avançam – ainda bem – cada vez mais.

Não somos contra a nudez dos desfiles, na arte, nas praias, para esse fim, conjugadas a um objetivo de tornar mais livre a existência humana.
O que nos chama atenção, nesses desfiles de seios de fora, é a gratuidade, o fato de estarem fora de contexto, simplesmente para chamar a atenção para o nome do estilista ou da grife. Na verdade, o uso do corpo como marketing, a beleza feminina com chamariz e o desvirtuamento do objetivo precípuo da roupa, que é cobrir, agasalhar, dar certa dignidade à pessoa.

A nudez é benéfica para o Homem, desde que contextualizada.
                                            Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    23:39 — Arquivado em: Sem categoria

O LIVRO EM PAPEL E O COMPUTADOR

Todo início de século, em que, geralmente, há mudanças tecnológicas ou alternância de poder, desde o século XVIII, ocorrem os prognósticos para o futuro de novos inventos. Com este novo milênio, não poderia ser diferente, em relação, principalmente, à presença marcante da informática na vida das pessoas.

A cada dia que passa, mais soluções tecnológicas são criadas, de tal forma, que a tendência caminha em direção ao uso computacional do telefone móvel, carinhosamente chamado no Brasil, de celular. Esse aparelho chega a possuir diversas funções, como telefone, máquina fotográfica, gravador, emissor de mensagens, para outros celulares e para os computadores, acesso à internet e muitas outras, de uma lista enorme.

Sendo a informática o conjunto meios tecnológicos digitais usados pelas pessoas para processos diversos de comunicação, o computador constitui seu expoente máximo. É natural, portanto, que para ele se voltem as atenções, seja o suporte que adotar, como o tradicional CPU, o laptop, o palm top, o celular e outros que ainda virão, nessa velocidade com que surgem inovações diversas, inclusive no campo da nanotecnologia.

Com o computador, surgem diversas e mais ágeis formas de comunicação, inclusive a transmissão do conhecimento. Com isso, está havendo um fato interessante que é fazer da tela iluminada do monitor o meio preponderante de leitura e absorção de informações. Ocorrem análises, interação entre pessoas e grupos e a grande possibilidade dos e-books, esta ainda usada de forma incipiente.

O computador ainda não é popular, não está, como ferramenta, massificado, mas novas aquisições desse produto vêm aumentando dia-a-dia. Nos meios chamados intelectuais, entre estudantes e professores, escritores, pensadores, filósofos e todos os que usam o conhecimento como instrumento de trabalho com o intelecto, não se concebe mais a ausência dessa máquina prodigiosa, que veio para ficar e se expandir, avançando rumo a seu aperfeiçoamento.

Ler um livro no computador vem se tornando um hábito, depois de um período de adaptação do usuário, com a possibilidade de uso de caderno de notas, de sublinhar frases, tudo aquilo que hoje, ainda, se faz em um livro de papel. Mudou apenas o suporte do livro, que não é mais de papel. 

 A alegação do apego ao tato do volume que se está lendo, será, automaticamente, substituída, por exemplo, pelo tato do lap top, ou, até mesmo, com o celular. Que se acalmem os saudosistas, com suas estantes, ocupando espaços físicos enormes, os nostálgicos do suporte tradicional, que logo, dependendo da mentalidade de cada um, estarão habituados a ler livros, com a comodidade de opções que o computador oferece.

Essa mudança de suporte, de acondicionamento, está se verificando, rapidamente, com a música, com os MP3 e MP4, os vídeos e até o cinema. Poderão alguns incrédulos achar que isso é sonho, que ocorrerá somente daqui a muitos anos, mas a realidade vem se mostrando diferente, acompanhando essa evolução, sem que muitas pessoas ainda percebam, porque não se atualizaram.

Não se está afirmando que o livro em papel vai acabar, como disseram do cinema e das artes, em geral, mas haverá uma convivência pacífica entre os dois suportes, o de papel, com seu formato tradicional, e a tela de computador, cada um com seus fiéis leitores.
                                                        Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    6:51 — Arquivado em: Sem categoria

19.10.07

O SILÊNCIO SOBRE A CPMF

Na quinta-feira, ontem e hoje, dia 19/10, em pleno período de votação da prorrogação da CPMF, o espanto do silêncio. Uma palavra sequer sobre a prorrogação, até 2011, dessa espúria Contribuição. O que nos dá conta o noticiário é que a arrecadação de impostos de janeiro a outubro deste ano aumentou, mesmo sem computar a CPMF, em 6,6%, comparada ao mesmo período do ano passado.

Isso vem demonstrar a desnecessidade dessa “contribuição-imposto”, palavra composta que não existe e, separadamente, constitui dois conceitos totalmente diferentes, no Direito Tributário. Contribuição que de provisória nada mais tem, tornando-se permanente com as prorrogações, com todas as outras características de um imposto.

Tomamos a liberdade de utilizar essa palavra, como demonstração do repúdio da população, em sua grande maioria, sofrendo calada, com o desconto de 0,38%, a cada saque que faz de sua conta bancária. População que recebe salário, a contraprestação de seu suado trabalho, esvaindo-se, lentamente, para o bolso do governo.

Falou-se, bem antes, em isenção de valores até 1.700 reais e outras atenuações da Contribuição e, de repente, nada.

Esse silêncio incomoda, com a mídia calada. Seria de propósito, para não atrapalhar alguma negociação fora dos padrões éticos? Obviamente, que os líderes do governo e da oposição, assim como os senadores, não estão parados, que negociações há, ocorrendo uma movimentação de bastidores, que o público não pode tomar conhecimento.

Por que será que a mídia está silenciosa sobre esse assunto? Onde estão os chamados repórteres investigativos, seus furos de reportagem, suas notícias bombásticas? Não se pode acusar sem prova, mas algo de inusitado, na escuridão de uma censura branca, esconde-se, como gato preto na negritude da noite.

Ainda terão outros dias, menos os mortos de final de semana em Brasília, principalmente, em assuntos políticos, para que possamos falar, de novo, em CPMF. Ou não. Afinal, existem, quase como tradição parlamentar, as votações na madrugada. E quem sabe hoje ou segunda-feira… parece que vale tudo…
                                                 Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    6:47 — Arquivado em: Sem categoria

18.10.07

CPMF: IMPOSTO ÚNICO OU UMA INDECÊNCIA

A prorrogação da CPMF, imposto, chamado de Contribuição, dito provisório, tem uma característica própria: a impossibilidade de sonegação. Houve movimentação financeira lícita, através da rede bancária, ele incidirá automaticamente. E, quem faz movimentação financeira com elevados recursos, possui dinheiro suficiente para pagar, seja essa Contribuição, seja o nome que se quiser dar.

Sendo assim, poderia ser um imposto único, pago acima de um valor significativo no mercado financeiro, sem recair sobre o salário de trabalhadores e micro empresários. Essa proposta já constituiu bandeira de partidos políticos, mas foi rejeitada por todos os governos brasileiros, quando apresentada no Congresso.

Faltando dois dias para a votação da prorrogação da CPMF, não houve, ainda, uma proposta conciliatória entre oposição e governo, no Senado. Um grande empecilho para a formulação de um consenso, pela maioria dos votantes, foi retirado, com o afastamento do presidente da casa, o Sr. Renan Calheiros, licenciado por 45 dias e com sério prognóstico de renúncia do cargo.

Como está no projeto de emenda constitucional – PEC, a concretização, mais uma vez, da prorrogação, que será cobrada até 2011, configura uma indecência jurídica e moral. A isenção para pessoas que ganham até R$1.700,00 foi a cartada decisiva, por parte do governo, para angariar votos a favor da prorrogação da imposição dessa vilania contra os trabalhadores brasileiros.

Caso não seja votado até o dia 20/10, somente no segundo trimestre de 2008 poderá o governo insistir nessa pavorosa cobrança. A urgência, pela exigüidade de tempo, favorece a não votação dessa emenda constitucional, que necessitará de duas votações no Senado, o que já ocorreu com a dupla votação na Câmara Federal.

Hoje será um dia decisivo no Senado, para definir se o governo contará ou não com esses aproximados dez bilhões de reais. Há a alegação de que, sem esses recursos, muito pouco poderá ser realizado em termos de investimento em ações sociais. Mais uma falácia!

Sem nenhuma contenção de despesas, o Poder Executivo caminha como se estivesse na abastança, deixando-se levar pelo desperdício, por simples falta de direcionamento em suas prioridades. Sem se falar, ainda, nos assaltos, quase consensuais, por falta de fiscalização adequada, aos cofres públicos, verificados em cada falcatrua que a mídia estampa.

O Governo não necessita de mais recursos retirados dos contribuintes, mas, apenas, de comando, de governo.
                                                    Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    4:26 — Arquivado em: Sem categoria

17.10.07

AINDA A FIDELIDADE PARTIDÁRIA

A partir de ontem, dia 16/07, um novo capítulo se abriu, revigorando a tese da fidelidade partidária, desta vez não só para parlamentares – deputados federais, deputados estaduais e vereadores – mas abrangendo os mandatos dos majoritários. Essa decisão do Tribunal Superior Eleitoral – TSE vem definir a tese de que o mandato pertence ao partido e não ao eleito, como se interpretava, aleatoriamente, antes dessa decisão judicial.

Esses meandros de um quadro político caótico querem significar que os chamados mandatos majoritários são os dos senadores, os dos prefeitos, dos governadores e o do Presidente da República. Estes são eleitos se tiverem mais votos que seus concorrentes, ganhando, portanto, o mais votado.

Os parlamentares são diferentes, de vez é feito um cálculo bastante complicado, com números que dependem dos partidos políticos, aplicando uma fórmula matemática, para se chegar ao coeficiente eleitoral, que o candidato terá que atingir e superar. Por isso são chamados de cargos proporcionais.

Para os com cargos proporcionais e majoritários, o TSE, através de seu presidente, o ministro Celso Aurélio de Melo, se comprometeu com que, na próxima semana, a se iniciar no dia 22/10, estará pronta uma regulamentação sobre como devem ser julgados os processos de perda de mandato por troca de partido.

Essas normas contemplam os julgamentos da perda ou não dos mandatos dos parlamentares, a partir de 27/03 e dos portadores de mandatos majoritários, naturalmente, a partir de 16/10, ontem. |Mas a decisão da data ficará a cargo do Supremo Tribunal Federal – STF.

Isso ocorre, porque, novamente, os partidos políticos terão que ingressar com uma ação no STF, para determinar se há perda de mandato e em caso positivo, a partir de qual data, como aconteceu antes para os mandatos proporcionais – vereadores, deputados estaduais e federais.

A partir dessa decisão do STF, os interessados deverão entrar com mandado de segurança no TSE, para que seja julgada a perda do mandato do eleito. É um procedimento demorado e cheio de minúcias, nos intricados caminhos do Direito, para que os direitos dos envolvidos possam ser amplamente assegurados.

Todo esse posicionamento, ainda, não é o desejável, para o exercício de uma representação do povo digna e correta. É, porém, um começo, um avanço na bagunça eleitoral, um caminho em direção a uma cultura partidária, com eleições transparentes e uma política mais salutar, no país.

Agora é esperar que seja provocada uma nova decisão sobre o assunto, no STF.
                                                     Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    7:24 — Arquivado em: Sem categoria

16.10.07

A UNIFICAÇÃO DO LEGISLATIVO FEDERAL

Essa é uma discussão que vem tomando corpo, principalmente nos últimos dias, após o afastamento do Presidente do Senado Federal, com vários processos, no Conselho de Ética daquela Instituição, por quebra de decoro parlamentar. A extinção do Senado Federal é a tônica dessa formulação.

Pesquisa da CNT revelou que 22%, de um universo de 2.000 pessoas entrevistadas, em 5 regiões do país, não souberam responder se o nosso sistema parlamentar deveria ser único ou bicameral, até porque não sabiam do que se trata.

É um dado alarmante, considerando-se ser de uma posição que vai além da política partidária, da integridade moral dos políticos. Trata-se do fato de ser bem representado por um conjunto de pessoas que fazem lei para que a cumpramos.

É preciso que se entenda, porém, que, no sistema único ou unicameral, há apenas uma Assembléia de deputados representando a população e, também, os Estado da Federação. No Sistema bicameral há a Câmara dos Deputados representando toda a população e o Senado, representando os Estados. No caso brasileiro, 3 senadores para cada Estado.

Esse esclarecimento, embora simplório e do conhecimento dos que têm formação jurídica, torna-se importante para a grande maioria dos que são votantes. São pessoas analfabetas e semi-analfabetas que desconhecem realidades como essa ou são levadas a votar por simpatia ou interesse nos benefícios que o político candidato possa oferecer.

O sistema bicameral foi importado dos Estados Unidos da América, que, por sua vez, adaptou o sistema legislativo da Inglaterra. Essa cópia mal feita não atende aos interesses do Brasil, um pais que, ainda, não tem suas instituições devidamente consolidadas.  Necessita, então, de celeridade na formulação de leis novas que se adaptem às mudanças ocorridas, em espicial, desde os anos 90.

Esse é um sistema que não se presta pra isso e está sendo mantido por interesse político, de um lado e, de outro, por convicções jurídicas antiquadas de um sistema de contrapesos de poder que, na verdade, não existe.

Além de atravancar as propostas, as votações e as sanções de novas leis permite ao Presidente da República que promulgue leis, por meio de Medidas Provisórias, muitas pela urgência na solução de problemas imediatos.
Por outro lado, a bicameralidade emperra o processo legislativo e ainda acarreta custos elevados com a manutenção de senadores e seus assessores, prédios de moradia para esses parlamentares, sem contar as verbas de gabinete e outros privilégios que os acompanham.

Essa é uma concepção antiga que favorece políticos e ainda está arraigada aos juristas conservadores que vêm de um sistema de contrapesos de poder, há muito não mais existente.

O mundo mudou com uma velocidade impressionante, acionado pela tecnologia e ainda estamos com uma codificação dos anos 40, em sua maioria, à espera de atualização, que só o unicameralismo pode proporcionar.
                                             Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    6:41 — Arquivado em: Sem categoria

15.10.07

A IMBECILIDADE DA TROPA

 
A mídia brasileira tem por hábito eleger pessoas, entidades ou produções culturais e criar em torno destas falsas polêmicas, para atrair leitores e telespectadores. É uma espécie de “convocação” de massa, como acontece agora com o filme Tropa de Elite.

O filme retrata uma realidade conhecida pelos mais esclarecidos e por aqueles, maioria no Brasil, que sofrem as conseqüências da violência policial, esta com outra origem, que não a violência em si.

É ressaltado, nos meios de comunicação, o tratamento de “sócios” a traficantes e consumidores, a partir da premissa de que só há traficantes, porque há quem consuma. Raciocínio frágil e estúpido, quando se sabe que o consumidor de drogas é um doente que necessita de tratamento e que só existe trafico, porque há a proibição legal do manuseio e venda clandestina das drogas chamadas ilícitas. Isso enriquece um segmento da sociedade e é mais organizado que seu órgão repressor.

O filme revela o óbvio, basicamente essa luta travada entre policiais e traficantes, aonde se chega ao ponto de não saber mais quem é bandido ou mocinho. Essa realidade assume encastelamentos em favelas ou em periferias, como em qualquer lugar do mundo, onde as drogas não são liberadas.

O fetiche midiático se concentra em boas atuações de atores televisivos e na participação dos próprios integrantes do BOPE, outra causa de polêmica.

Aliás, polêmica extravagante, se observarmos filmes de paises islâmicos, onde é comum o uso de atores não profissionais, mostrando um dia-a-dia cruel, com estratégias de sobrevivência próprias. Como se trata de militares há sempre aquele mistério em suas operações, a surpresa, o modus fasciendi diferenciado, que os traficantes acompanham sempre pelas freqüências de rádios da polícia e soltam foguetes avisando sua chegada aos redutos das bocas de fumo. Há, também, o lado das traições de militares corruptos, cada vez mais crescentes.

Mas se cria a tal polêmica midiática para dar vazão a um cinema chocho, como o brasileiro, sem audiência, que precisa de lei para os distribuidores passarem os filmes nas casas de espetáculo.

O lado do cinema-arte passa longe da filmagem, sendo mais um daqueles filmes americanos de bandidos e policiais, seguindo a receita de Hollywood.

É uma tristeza que, com tantos temas mais contundentes e reveladores de causas originais das mazelas brasileiras, se elogie e reverencie um filme de conseqüências dessas causas, tratando como polêmico o comadrismo e a fofocagem, matéria-prima dos produtos de massa. Mais uma imbecilidade da tropa de “elite” dos ditos cineastas.
                                                   Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    1:40 — Arquivado em: Sem categoria

14.10.07

O PROFESSOR ARMADO

Na cidade de Melford, no Estado americano do Oregon, uma professora solicita na Justiça o direito de portar arma de fogo, ao dar aula em uma escola pública. Shirley Katz teme um novo ataque, como o de Columbine – uma escola que foi metralhada por dois alunos, que invadiram o prédio e fizeram uma chacina, com 12 mortos, entre eles um professor e diversos feridos.

E o Brasil? E os professores brasileiros em escolas públicas, principalmente, na periferia, que têm o cabelo queimado ou são agredidos com socos e pontapés, ameaçados de morte ou com a destruição de seus patrimônios materiais e sua integridade física?

Muitos desses casos são relatados pela imprensa e outros nem se toma conhecimento, em função da banalidade que fatos como esses assumiram. Assassinatos de alunos e professores, por questões de tráfico de drogas, por uma nota baixa, por uma advertência verbal, põem em risco a vida dos mestres, não somente nas grandes cidades. Claro, a solução não é armar o professor!

Atitudes como essas são um forte indicador de que a Educação passou da Família para a escola, sem estrutura para isso e que deveria, exclusivamente, instruir o alunado e coadjuvar a sua educação, corroborando princípios e valores morais aprendidos na família.

Mas que família? A desestruturada pela miséria e pela pobreza indigente, de pais alcoólatras e/ou consumidores de drogas, sem emprego, eles mesmos sem educação alguma, desconhecendo o mínimo dignidade como seres humanos? A família atual, em sua grande maioria, não importa a classe social, faz da escola um depósito de meninos e meninas, carentes de todos os tipos e de tudo.

Há desses pais que entregam seus filhos à própria sorte, com as tradicionais frases, que, em resumo, querem significar que não se “intrometem” na vida dos filhos, para não lhes tolher a liberdade. Posições essas que os exime de qualquer trabalho com a educação em família, de vez que é muito desgastante esse papel de orientador dos menores de idade, deixando os filhos fazerem o que quiserem, em nome de uma falsa psicologia.

Que atitude pedagógica pode tomar uma escola, principalmente pública, diante de educandos que chegam desorientados, viciados em drogas proibidas por lei e em outras drogas da sociedade de consumo?

Nenhuma ou quase nenhuma, a não ser alimentar, com merenda escolar, os famintos e dar algum caminho àqueles poucos mais suscetíveis a uma orientação dos mais velhos e, ainda, não impregnados pelo comportamento criminoso. Esses que vão armados com revólveres e pistolas para o recinto das escolas.
                                             Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    5:50 — Arquivado em: Sem categoria

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