LiberdadeDaPalavra

ARTIGOS sobre fatos políticos, econômicos e sociais. Liberdade, palavras e ações.

20.9.07

UM PAÍS SEM LESTE NEM OESTE

Em geral, na tradição dos demais paises no mundo, as pessoas se movimentam orientadas pelos pontos cardeais. A chamada Rosa-dos-Ventos, com as minúcias desses pontos de direcionamento, é a maneira mais prática de na rua, na busca de um bairro em sua cidade ou mesmo na estrada, ao tentar atingir outro Estado, encontrar o que a pessoa procura. Até mesmo dentro de um prédio grande, principalmente horizontal, com várias dependências, basta observar a posição do sol e se dirigir ao lugar desejado.

No Brasil, não se pode fazer isso, considerando o país em geral. A denominação das regiões e a localização dos Estados brasileiros, em relação ao astro sol, não se referem exatamente ao lugar determinado como norte, sul, leste e oeste.

Os exemplos clássicos dessa situação são os Estado da Bahia, que está no Leste e o Maranhão e o Piauí que são norte. Nenhum deles é nordeste, basta conferir na bússola, para citar um antigo e conhecido aparelho de orientação no mundo. Isto, sem falar nos sofisticados instrumentos astronômicos disponíveis, que, com maior precisão, podem assegurar a afirmação acima.

Há, porém, uma explicação político-partidária para isso. Quando foi criada a hoje extinta SUDENE – Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste - , Estados como a Bahia, Alagoas e Sergipe, que estão a leste do Brasil, além do Maranhão é do Piauí, ao norte, se fizeram considerar nordeste. A finalidade era para angariar as benesses dos financiamentos de projetos, principalmente, agrícolas e industriais proporcionados por essa Instituição de fomento ao desenvolvimento regional. Financiamentos que, na maioria das vezes, não tinham uma prestação de contas devida, enriquecendo, ilicitamente, governantes e empresários espertos, muitas vezes em conluio, na reunião de governadores “nordestinos”, que compunham o colegiado daquele órgão.

Quanto ao oeste brasileiro, também, não o temos. Há o “centro-oeste”, mas não existe o oeste, como se o sol se pusesse somente na parte oceânica dos paises vizinhos e jamais dentro dos limites a oeste de nosso país. É obvio que Estados como Matogrosso e Matogrosso do sul, em grande parte fronteiras com os demais países, ficam a oeste do Brasil. O Distrito Federal, Brasília, Minas Gerais, Goiás, Tocantins, compõem o centro. Por razões políticas da mesma ordem, foram incluídos como centro-oeste, beneficiando-se dos cofres públicos, utilizando-se do mesmo esquema da Sudene, aplicado nessa região.

O Maranhão ora era nordeste, ora é norte, dependendo do grau de importância das reuniões da SUDAM – Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia - órgão ao qual o Estado pertence, ou da extinta Sudene, que, também, pertencia, concomitantemente. E é sabido que o Maranhão tem fortes características da Amazônia, na sua vegetação e terra, com maior contundência no lado oeste do Estado e, por isso, essa área é chamada, eufemisticamente, de Amazônia legal.

Infelizmente, o Brasil tem sua divisão política submetida a problemas político-partidários do passado!
Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    5:34 — Arquivado em: Sem categoria

19.9.07

SER ESCRITOR

Houve um tempo que, para ser escritor ou artista, de um modo geral, era necessário a obra vir antes do autor. Era preciso apresentar o trabalho ao público, para que este o julgasse e reconhecesse o talento de quem o produziu. Nas últimas décadas, o realizador da obra chega antes à mídia, sem que se conheça o real conteúdo de sua produção. Dá entrevistas, participa de Bienais, é assunto de folha inteira de cadernos culturais de jornais e, se já conhecido através da Televisão, passa a ser referência em citação dos mais vendidos nas revistas. O que essa pessoa fez, pouco importa…

Essa inversão na valorização de trabalhos se vê bem retratada, especialmente, nos “diários” de prostitutas, que se dizem ex, de falsas “prostitutas”. Gente em busca de sucesso e fama , do dia para a noite, por meio de livros, com escritores ghosts, explorando a fofoca, o escândalo fácil e a pornografia. São “conteúdos” vendáveis, graças a esse processo, onde a pessoa que “escreveu” nada tem a acrescentar ao conhecimento e se tornam produtos de diversão duvidosa, resvalando para a total inutilidade literária, considerando o estilo apelativo e frágil da exposição dos fatos.

Para ser escritor é necessário ter uma bagagem cultural, com muita leitura de obras consagradas, de onde se pode extrair uma forma de escrever com time, com “fogo de chão”, na busca de um estilo próprio, convincente e atrativo.

 É preciso, não viver de literatura, mas viver a literatura, em todos os seus meandros e facetas deslumbrantes, atualizando sua forma de escrever e tendo a experiência de vida no ramo. Não se pode “cair de pára-quedas” no mundo literário e sair escrevendo um livro.

Para se escrever bem, com atrativo, com concisão, com clareza e com estilo próprio, há a necessidade de ser observador, criativo ter um bom tema, mesmo que regional, mas com características de universalidade. E, acima de tudo, ter perseverança, muito suor e lágrimas e saber aceitar críticas construtivas.

É preciso conhecer o valor das palavras, não apenas seu significado.
                                                        Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    4:33 — Arquivado em: Sem categoria

18.9.07

A IDADE PROVECTA

Realmente, quando se começa a ficar velho? Com que idade, melhor dito assim, se é considerado velho, PROVECTO? Há uma variação enorme, em função de cada cultura, tendo, como critério básico, a idade com que não se pode mais trabalhar. Mas, se esse é o critério fundamental, a lei brasileira comete uma injustiça profunda, ao considerar a pessoa com 60 anos um indivíduo velho, embora podendo trabalhar com desenvoltura e afinco por muitos mais anos.

Não me refiro à lei previdenciária, mas ao nosso Estatuto do Idoso que traz em seu bojo o espírito de amparo às pessoas que não puderam ou não se incomodaram, ao logo da vida, em conseguir uma forma de se sustentar. E a todos os idosos assegura o direito a ter um tratamento com respeito, dignidade e segurança, no mais amplo sentido.

As demonstrações pela imprensa de casos de desrespeito, agressão física e psicológica mesmo ou o já conhecido descaso, ou pouco caso e motivo de galhofa, com que são tratados os idosos no ocidente, nos impulsiona em uma só direção desastrosa.

Somos uma parte da população mundial que despreza seus velhos, em função do culto à juventude, sustentando toda uma indústria que vai da farmacêutica à das academias de embelezamento, chegando á da moda, passando pela cirurgia plástica. Isso fomenta, não apenas a vaidade, mas o medo de ser incluindo entre os mal tratados, os desprezados.

O medo de ser um excluído com benevolência malsã, não sendo mais levado a sério em suas opiniões ou conselhos, mas acolhido, de certa forma sem o respeito em ser uma pessoa com opiniões, desejos, ideais e sonhos. Pior ainda, de não ser acolhido, mas tendo sua presença como um estorvo, onde o despezo de toda ordem, principalmente para os que não têm dinheiro, se impõe.

Ficou assegurado acima que os povos ocidentais tratam os idosos assim e há um consenso que os orientais os acolhem com reverência e apreço, mas até isto está desaparecendo, quando se lê a notícia de, à guisa de saúde, é comemorado no Japão o Dia do Respeito ao Idoso, com uma passeata em Tóquio, onde os velhinhos saem à rua com pesos de mão, fingindo se exercitar, mas, no fundo, apenas fazendo valer a sua presença e o respeito a eles como seres humanos.
                                            Mais um tabu quebrado!              
                                               Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    5:56 — Arquivado em: Sem categoria

17.9.07

UMA GAIOLA DE PORTA ABERTA

Prenderam Salvatore Cacciola. Em Mônaco. Sete anos depois do golpe no mercado financeiro, com a bancarrota do Banco de que era o dono e presidente. E mais um ave bandida se soltou da gaiola e foi pousar na Itália, ao lado do Coliseum. Deixou pra trás um crime ou vários crimes na habitual impunidade brasileira. Mas isso está, por uns dias, estampado na imprensa brasileira, à farta.

A questão principal não é essa, mas a fragilidade do nosso sistema financeiro, onde correm, à solta, diversas possibilidades de fraude, como a do Banco Santos e outros, Corretoras de Valores, etc., que prejudicam a população, ou seja, os com condições, ainda, de ter algum dinheiro para depositar, nem que seja o seu suado salário,nas conhecidas contas-salário. Essa fragilidade ocorre, apesar da lei do colarinho branco, pelo “cuidado”, o “zelo” em acusar alguém com influência no Poder e evidente passaporte social, pelo temor das conseqüências, mesmo que existam um ou mais crimes cometidos.

Essa impronunciável estratificação social, que tem, no seu ponto mais alto, os intocáveis, seja pelo exercício do poder formal, seja pelo dinheiro, é uma corrente fechada, mais alta ainda do que aquele segmento social chamado de “ricos e famosos”, onde se verifica uma mobilidade, principalmente, na direção setores da classe baixa para a classe alta. Estes são “ricos”, mas de certa forma assalariados e transitam entre essas classes com enorme facilidade.

A referência, aqui, é para os que pairam acima disso, com uma estabilidade oriunda de tradição familiar, os que normalmente ninguém quase vê nas ruas, nos lugares comuns aos mortais, mas se acham encastelados em seu grupo social ( reparem que não falei classe) e de lá, não isolados, ramificam seus tentáculos de poder em todas as direções e a todas as pessoas, tornando-se vestais na sua incolumidade

Dizer que não existe essa estratificação, além das classes sociais é o mesmo que afirmar a existência de preconceito contra o pobre que, geralmente, é negro, até mesmo pela enorme miscigenação racial em nosso país.

O Cacciola está nessa categoria dos “ïmexíveis,”como disse Magri, ao ser Ministro do Trabalho, no governo Collor e qualquer gaiola, para ele, terá sempre a porta aberta.
                                                  Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    6:34 — Arquivado em: Sem categoria

16.9.07

LAVANDO AS MÃOS

Com um gesto como o de Pilatos, o Presidente Lula declarou à imprensa que, no caso Renan Calheiros, não houve impunidade. Alguma alma bem versada no Direito, talvez aposentada da Suprema Corte de Justiça, deve ter soprado ao ouvidos do Gestor Máximo as filigranas da técnica jurídica.

Em verdade, tecnicamente, não houve impunidade, de vez que o Senador Presidente do Senado foi submetido a um julgamento por seus pares e foi absolvido. Pelas regras jurídicas, impunidade haveria se não houvesse julgamento e tudo continuasse como estava.

Nesse raciocínio, onde, simplesmente, se aplicam as normas do direito processual, não se levou em consideração que, ao presidir o Senado Federal, o Sr. Renan Calheiros usou e abusou dos conchavos, da intimidação por força do cargo, da leviandade de possíveis ameaças a seus colegas votantes, além do que, pelas regras, a abstenção passa a ser voto positivo.

O Processo de julgamento, assim, se encontra eivado de vícios insanáveis, invalidando o próprio resultado. Se observarmos pelo lado da Justiça, dos valores de conduta moral e pelas condições políticas, esse julgamento se acha invalidado, mais ,ainda, por se tratar de um processo de natureza política e moral e não, como ocorre nos processos comuns, com observância, puramente, dos ditames da Lei.

A saída neo-liberal do Presidente do Brasil, na concordância de um acordo espúrio, para o andamento do processo, mostra seu lado “conciliador” e inconveniente. Ele que deveria lutar e ser exemplo de retidão moral, acoita, com pruridos jurídicos, a visível e irreversível invalidade do julgamento, mostrando a conivência, a leviandade da repetição de um pensamento que, obviamente, não é dele, por lhe faltar formação jurídica, apoiando uma decisão amoral, em nome de uma conveniência, por necessitar do Senado, para aprovação dos projetos do Executivo.

Antes tivesse ficado calado ou dissesse, fingidamente, que se trata de um problema da alçada de outro Poder, mesmo esquecendo-se da harmonia e interdependia destes, mas não fizesse a estapafúrdia declaração de que não houve impunidade.

Lavou as mãos na água suja da vergonha, do pouco caso e da irresponsabilidade de seu pronunciamento.
                                                 Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    7:09 — Arquivado em: Sem categoria

15.9.07

O MERCADO CARBONO

Com as pernas quebradas, a convulsão de estandartes caídos, internamente, o País se acha espetado por duas pontas de lanças ferozes, externamente: o mercado carbono e os acordos do nosso biocombustível.

O mercado carbono nada mais é do que certa quantidade de áreas preservadas no ambiente, transformadas em valor, em “moeda”, que são negociadas com os países desenvolvidos, adquiridas através de acordos internacionais.

Acontece que esses países desenvolvidos, ao adquirirem a preservação dessas áreas em outros territórios que não são os seus, se eximem de preservar suas próprias áreas. Isso faz com que contribuam e continuem contribuindo para a devastação de nosso Planeta, de forma impune ou pior ainda, comprando o direito de poluir o ambiente, ao manter a emissão de gases e conservar a forma delinqüente de seu desenvolvimento.

É uma impunidade legalizada, deixando para os países emergentes a responsabilidade paga de preservar o ambiente, de não deixar que o aquecimento global se expanda, à custa de seu próprio desenvolvimento. Ainda não foi encontrado um meio de um país se desenvolver sem romper com as velhas estruturas de produção, embora haja alternativas várias, para um desenvolvimento econômico e social sustentável.

O pequeno grupo dos desenvolvidos se mantém como está, poluindo, e os demais países do terceiro mundo, a grande maioria, se contorce para crescer, sem devastar a camada de ozônio e proporcionar o aquecimento da Terra. E isto é, descaradamente, comprado sob uma capa de legalidade. 
                                                   Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    6:26 — Arquivado em: Sem categoria

13.9.07

LIBERDADE DA PALAVRA

Tendo em vista os recentes acontecimentos que ocorreram em nosso País, com a mais dolorida das impunidades, como a do Sr. Renan Calheiros, sem falar em outros da mesma laia, mas que não ocupam cargo de profunda relevância na República, tomamos a iniciativa de mudar o nome deste Blog para LIBERDADE DA PALAVRA.

O intuito foi de não contribuir somente com a parte artística e cultural*, mas participar ativamente da vida pública do Brasil, através deste instrumento.
Fatos como este que aconteceu no dia 12/09, deste ano, foi o ataque a nossas Torres Gêmeas, como ocorreu no WTC , em 11/9, nos Estados Unidos , realizado por um Bin Laden da ladroagem e da cara-de-pau.

Na Instituição da impunidade, outros há, cujos podres são do conhecimento do Sr. Renan Calheiros, fazendo com que esses se intimidem diante das ameaças, nada veladas, de divulgação desses fatos ilegais.

Diante disso, no conluio dos facínoras, deixa de ser punido o Presidente de um Poder do Estado, enquanto criminosos de menor porte político e público apodrecem nas infectas cadeias, de forma legal, mas injusta.

As leis são boas neste país, mas sua aplicação, onde realmente se faz justiça, é feita, em grande parte, com corrupção e má hermenêutica do Direito

Na Casa das Leis, o Presidente do Congresso Nacional comete os mais enojantes crimes para um homem público e mesmo para qualquer individuo e nada acontece. Comemoram-se os fatos nas altas rodas, como um processo natural de continuidade da corrupção e da impunidade.
ABAIXO OS AMORAIS NO PODER! Que fiquem os honestos e trabalhadores, que exceções há.
                                       Saraiva Filho 
                              

criado por SARAIVA FILHO    21:22 — Arquivado em: Sem categoria

PROTESTO

      

   Interrompo o contexto artístico e literário deste blog , para manifestar meu repúdio, assim como o da maioria dos brasileiros, pela absolvição do SR RENAN CALHEIROS, no Senado Federal desta República que de res (coisa,em latim) publicae ( publica ) = coisa pública já não exite quase nada.
          É vergonhoso, amoral e ilegal essa absolvição espúria, de vez que um país que não pune seus dirigentes, não pode punir seus dirigidos, nós, a população brasileira trabalhadora e que paga seus impostos.
          ABAIXO A CORRUPÇÃO E A IMPUNIDADE,  tripudiando sobre a maioria dos cidadãos honestos. E que se manifestem os estudantes, os trabalhadores e todos aqueles que não temem o Sr RENAN CALHEIROS, porque não têm "rabo de palha".
          PUNIÇÃO AOS CULPADOS DE COLARINHO BRANCO!!!
                                        Saraiva Filho

       

criado por SARAIVA FILHO    10:40 — Arquivado em: Sem categoria

4.9.07

CONFISSÃO DE INTIMIDADE

Das travessuras de corpos,
curvada nas medidas em concha,
me ofereceste o laço,
o anel como presente
no gozo intermitente
de dois dedos abaixo.
Uma confissão de intimidade
nas clausuras de amor
criando liberdade,
saudade constante,
na dádiva significante
da entrega como verdade.
            Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    6:15 — Arquivado em: Sem categoria

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