LiberdadeDaPalavra

ARTIGOS sobre fatos políticos, econômicos e sociais. Liberdade, palavras e ações.

23.9.07

CONCESSÕES DO ARTISTA

Todo artista se pensa livre. Nos nichos de sua criatividade, naquela hora de se expor, ali, em qualquer circunstância, tem a aura do poder ilimitado de criar. Mas isso depende de muito esforço e suor, para a construção dessa hora. Os escritores, em especial os de ficção, rodopiam palavras, inventam métodos, usam estratagemas de apresentação de um texto e acreditam ter completado o ciclo da magia de montar uma história.

Há o pensamento vigente de que a obra de arte só tem valor se for apresentada, apreciada, contemplada por espectadores ou leitores e se esquecem , nessa argumentação, do prazer de fazer, de criar, do sonho inventado em instâncias quase transcendentais, que é só do artista. Aquela cena, surgida do nada, a que se avoluma na grandiosidade de um contraponto ou de uma marca indelével, tem o sabor marcante de algo muito íntimo, só do escritor.

No processo da publicação surge o tolhimento. As editoras e distribuidoras querem compradores. Começa, então, a dolorosa fase do retalhamento, do cortar, do acrescentar, da adaptação ao gosto do leitor, do espectador, do que compra. As mutilações, muitas vezes profundas, se ajustam, muitas vezes, a um gosto duvidoso, a um apelo do modismo de mercado ou, até mesmo, a um simples capricho do editor.

A real liberdade é poder dizer não na hora certa e nada tem a ver com o simples e romântico fazer o que se quer e almeja. Isso seria, despudoradamente, ferir o direito dos outros, em nome de sua vontade sonhadora. Concessão se faz a vida toda, em várias circunstâncias, como norma de convivência ou sobrevivência, mas transigir na arte é negar uma parte intocável do ser e, assim, deixar de ser artista.

Cabe lutar por seus ideais, mesmo que estes estejam na contramão do modismo, com um parecer desfavorável de pessoas formadoras de opinião. Mas a objetivação de seus sonhos tem um preço, que nem todos estão dispostos a pagar.
                                                    Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    7:13 — Arquivado em: Sem categoria

3 Comentários »

  1. Comentário por Artista Arteira — 23.9.07 @ 8:00

    Não há regras para o artista. O compromisso dele é com ele mesmo. E, como vc disse. isso tem um preço, que é SER artista e TER a liberdade da palavra!
    Parabéns!!

  2. Comentário por Clara — 23.9.07 @ 11:19

    É necessário fazer concessões, o artista precisa de viver, precisa de vender!! Muito bonito o que vc escreveu mas é mesmo um sonho!

  3. Comentário por Angela — 23.9.07 @ 19:05

    Arte não é consenso e não faz concessões. O artista só se importa com a prórpia arte e mais nada.

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