22.9.07
OS VILÕES: O HÍFEN E O TREMA
As variações que sofrem o modo de pensar e agir dos homens, ao longo da vida, são muito bem verificáveis na comunicação entre as pessoas. A tendência de se comunicar mais rápido, de forma mais concisa, mostra-se presente no dia-a-dia, advinda da agilidade do mundo dos negócios, onde as reuniões na empresa e entre empresas se tornam mais enxutas, necessitando, para isso, de um instrumento eficaz e eficiente de transmissão de vontades, desejos e propostas.
Mas o alto mundo empresarial é mais cauteloso, mais formal, com pouca abertura para impingir modificações na língua utilizada para se comunicar. Com a fermentação tecnológica dos meios de comunicação, a língua tem pressa, a forma de grafar as palavras tem que se adaptar a esse reboliço no mundo dos negócios e no modo corriqueiro de pessoas comuns entrelaçarem seus pontos de vista, suas fofocas, seus recados ou a simples diversão.
A reforma da língua, então, veio de baixo, sem passar pelas elucubrações dos gabinetes, mas da base essencial do modo de vida simples do homem comum, em seu computador em casa, escrevendo, através da internet. Nesse contexto gráfico, não há regras gramaticais, embora ainda haja alguns revoltados com isso, principalmente em salas de chat e mesmo no msn. Nos e-mails ( e o hífen aqui presente) da atividade empresarial ainda há certo resguardo e respeito à gramática, mas esta, formalmente, está mudando com o novo acordo ortográfico entre países de língua portuguesa.
E os vilões mais conhecidos e evidenciados são o hífen e o trema. O segundo irá desaparecer e o outro sofrerá restrições no seu uso, além de outras mudanças, também, importantes. Eles estão no paredão de execução, apesar do manifesto desgosto dos gramáticos mais conservadores.
Essa revolução ortográfica está ocorrendo, também, no inglês britânico, onde a prática já aboliu o hífen. A nova edição, saindo este ano, do Shorter Oxford English Dictionary, não traz esse sinal gráfico na maioria das palavras, salvo em alguns adjetivos compostos, que, sem hífen, causariam transtorno na interpretação do texto.
O poder dos gramáticos está desestabilizado e o cidadão, obscuro em sua simplicidade, vem ditando as regras gramaticais do teclado seboso da maioria das lan house ao sofisticado e sem fio dos gabinetes empresarias. E que a vontade da maioria prevaleça!…
Saraiva Filho
criado por SARAIVA FILHO
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