18.9.07
A IDADE PROVECTA
Realmente, quando se começa a ficar velho? Com que idade, melhor dito assim, se é considerado velho, PROVECTO? Há uma variação enorme, em função de cada cultura, tendo, como critério básico, a idade com que não se pode mais trabalhar. Mas, se esse é o critério fundamental, a lei brasileira comete uma injustiça profunda, ao considerar a pessoa com 60 anos um indivíduo velho, embora podendo trabalhar com desenvoltura e afinco por muitos mais anos.
Não me refiro à lei previdenciária, mas ao nosso Estatuto do Idoso que traz em seu bojo o espírito de amparo às pessoas que não puderam ou não se incomodaram, ao logo da vida, em conseguir uma forma de se sustentar. E a todos os idosos assegura o direito a ter um tratamento com respeito, dignidade e segurança, no mais amplo sentido.
As demonstrações pela imprensa de casos de desrespeito, agressão física e psicológica mesmo ou o já conhecido descaso, ou pouco caso e motivo de galhofa, com que são tratados os idosos no ocidente, nos impulsiona em uma só direção desastrosa.
Somos uma parte da população mundial que despreza seus velhos, em função do culto à juventude, sustentando toda uma indústria que vai da farmacêutica à das academias de embelezamento, chegando á da moda, passando pela cirurgia plástica. Isso fomenta, não apenas a vaidade, mas o medo de ser incluindo entre os mal tratados, os desprezados.
O medo de ser um excluído com benevolência malsã, não sendo mais levado a sério em suas opiniões ou conselhos, mas acolhido, de certa forma sem o respeito em ser uma pessoa com opiniões, desejos, ideais e sonhos. Pior ainda, de não ser acolhido, mas tendo sua presença como um estorvo, onde o despezo de toda ordem, principalmente para os que não têm dinheiro, se impõe.
Ficou assegurado acima que os povos ocidentais tratam os idosos assim e há um consenso que os orientais os acolhem com reverência e apreço, mas até isto está desaparecendo, quando se lê a notícia de, à guisa de saúde, é comemorado no Japão o Dia do Respeito ao Idoso, com uma passeata em Tóquio, onde os velhinhos saem à rua com pesos de mão, fingindo se exercitar, mas, no fundo, apenas fazendo valer a sua presença e o respeito a eles como seres humanos.
Mais um tabu quebrado!
Saraiva Filho
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