LiberdadeDaPalavra

ARTIGOS sobre fatos políticos, econômicos e sociais. Liberdade, palavras e ações.

17.9.07

UMA GAIOLA DE PORTA ABERTA

Prenderam Salvatore Cacciola. Em Mônaco. Sete anos depois do golpe no mercado financeiro, com a bancarrota do Banco de que era o dono e presidente. E mais um ave bandida se soltou da gaiola e foi pousar na Itália, ao lado do Coliseum. Deixou pra trás um crime ou vários crimes na habitual impunidade brasileira. Mas isso está, por uns dias, estampado na imprensa brasileira, à farta.

A questão principal não é essa, mas a fragilidade do nosso sistema financeiro, onde correm, à solta, diversas possibilidades de fraude, como a do Banco Santos e outros, Corretoras de Valores, etc., que prejudicam a população, ou seja, os com condições, ainda, de ter algum dinheiro para depositar, nem que seja o seu suado salário,nas conhecidas contas-salário. Essa fragilidade ocorre, apesar da lei do colarinho branco, pelo “cuidado”, o “zelo” em acusar alguém com influência no Poder e evidente passaporte social, pelo temor das conseqüências, mesmo que existam um ou mais crimes cometidos.

Essa impronunciável estratificação social, que tem, no seu ponto mais alto, os intocáveis, seja pelo exercício do poder formal, seja pelo dinheiro, é uma corrente fechada, mais alta ainda do que aquele segmento social chamado de “ricos e famosos”, onde se verifica uma mobilidade, principalmente, na direção setores da classe baixa para a classe alta. Estes são “ricos”, mas de certa forma assalariados e transitam entre essas classes com enorme facilidade.

A referência, aqui, é para os que pairam acima disso, com uma estabilidade oriunda de tradição familiar, os que normalmente ninguém quase vê nas ruas, nos lugares comuns aos mortais, mas se acham encastelados em seu grupo social ( reparem que não falei classe) e de lá, não isolados, ramificam seus tentáculos de poder em todas as direções e a todas as pessoas, tornando-se vestais na sua incolumidade

Dizer que não existe essa estratificação, além das classes sociais é o mesmo que afirmar a existência de preconceito contra o pobre que, geralmente, é negro, até mesmo pela enorme miscigenação racial em nosso país.

O Cacciola está nessa categoria dos “ïmexíveis,”como disse Magri, ao ser Ministro do Trabalho, no governo Collor e qualquer gaiola, para ele, terá sempre a porta aberta.
                                                  Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    6:34 — Arquivado em: Sem categoria

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