LiberdadeDaPalavra

ARTIGOS sobre fatos políticos, econômicos e sociais. Liberdade, palavras e ações.

30.9.07

A MÁSCARA DO MÉRITO

Nas sociedades, verdadeiramente, democráticas, o mérito é um de seus valores basilares, de vez que permite que haja mobilidade entra as classes sociais. O Mérito consiste na existência de conhecimento e experiência em uma ou algumas atividades, desenvolvidas com zelo, competência e honestidade. É uma conquista ao longo do tempo e seu reconhecimento terá que corresponder a reais atitudes e construção de fatos concretizados de forma individual ou coletiva, de relevante importância para a sociedade ou uma comunidade.

Os valores predominantes na sociedade brasileira estão como que travestindo esse bem moral em uma máscara, que se apõe em certas pessoas, através da fraude, da corrupção ou mesmo da compra de títulos e prêmios.

A credibilidade de certos resultados de concurso, como os de literatura, os das artes plásticas, os do cinema, como o Oscar, além do famoso Nobel e muitos outros, não correspondem ao mérito do agraciado. A concessão de prêmios a pessoas escolhidas em determinadas áreas do fazer humano, hoje, se não estão sob suspeita de politicagem, são oferecidos em jantares elegantes, promovidos por colunistas sociais ou jornalistas inescrupulosos, mediante o pagamento, com valores elevados, para a participação do “premiado”.

É a “industria” do prêmio, como os Personalidade do Ano, o Homem do Ano, além dos acima citados. Nada têm a ver com mérito, mas a máscara, muitas vezes, caricata do mérito. Raríssimas são as exceções, onde a presença do mérito acontece.

Esses “prêmios” se acumulam em currículos, ganham as páginas dos jornais, onde sobre o fato, em si, quase nada é falado. São estampadas as fotos, inúmeras, como um álbum, enchendo folhas inteiras de periódicos, com destaque para pessoas que estão em evidência, por exercerem cargos públicos ou privados importantes, com influencia e poder ou para outro tipo de gente, a qual bajula, se intromete nesse meio, paga, dá presentes, contanto que apareça para o público e embale sua vaidade.

Fazer marketing pessoal, ganhando “prêmios”, vem sendo a tônica para sobressair, em uma sociedade cada vez mais retilínea e massificada. É lamentável que o real mérito venha desaparecendo, aquele reconhecido pelo valor e pela verdadeira importância que a pessoa tem, dando lugar a essa falsa glória, momentânea, irreal e injusta.

Prêmios, como os das artes plásticas, a obtenção do primeiro lugar em concursos para obras de arte, pelo caráter de maior aparência subjetiva, são alvos fáceis pra essas barganhas , como o Super Cap Ouro, para computer digital prainting, por exemplo, e vários outros.

É importante deixar claro que este cronista não se submeteu a nenhum concurso, de qualquer espécie, nem deixou de ser alvo de prêmios de qualquer natureza.
                                             Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    8:38 — Arquivado em: Sem categoria

29.9.07

ADELFA, A INTRÉPIDA

Casaram-se, ontem, dia 28 de setembro de 2007, em Buenos Aires, na Argentina, Adelfa Volpes e Reinaldo Waveache, em cerimônia no Cartório de Registro Civil. Parece uma notícia de algum pequeno jornal de duas folhas, no arremedo de uma coluna social, em uma cidade perdida nas amplitudes do território platino, sem nenhuma importância.

Não é assim. Adelfa tem 82 anos de idade e Reinaldo 24 anos e é criado por ela desde os 15 anos, depois que sua mãe morreu. Ela era solteira, sem filhos, e hoje é uma respeitável senhora casada. Ele declarou: “… sempre gostei de mulheres mais velhas e nosso amor nasceu com base no respeito e nos momentos compartilhados. (…) A diferença de idade nunca nos incomodou”. Adelfa, aparentando certo vigor, afirmou: “ Ele era pequeno, era só uma criança. Tinha 15 anos, mas desde o primeiro dia de convivência, nos complementamos muito bem. Com o tempo, a relação ganhou outras cores.

Essa notícia se tornou internacional, não pelo inusitado, em si, da relação amorosa, mas, principalmente, pela presença intensa de uma necessidade de julgamento moral que o fato gerou. A existência de preconceito, pela diferença de idade, pelas suas vidas no aspecto sexual, fazendo surgir noções de perversão, de pedofilia, pelo menos até à maioridade dele, é o ponto central na divulgação desse evento, em alguns noticiários de outros países.

No Brasil, esta ainda não é uma notícia velha, de vez que Gugu Liberato convidou o casal, por conta de seu programa no SBT, para passar – ou seria mesmo gozar? - a lua de mel na cidade do Rio de Janeiro. Ainda vem programa de TV por aí, revivendo e atualizando esse caso, que – será por acaso? – se concretizou em terras argentinas e ganhou o mundo.

Esta é uma notícia e um comentário atual, não pelo desfecho que poderá ter, mas pelo fato de ser uma mulher diferenciada e com essa idade, em que a maioria apodrece em camas de hospitais, vegeta em asilos para idosos ou se camufla de gente, no seio de sua próprias famílias, todos sozinhos e abandonados.

Umas pessoas tem, ainda, a sorte de serem reconhecidas, como Dona Canô, mãe de Maria Bethânia e Caetano Veloso ou no caso dos homens, Dorival Cayme, com seus vários filhos famosos, eles e outros menos divulgados, na condição respeitável de patriarcas e matriarcas, comandantes supremos da família.

Adelfa criou seu objeto de amar, de curtir a vida, o muito ou pouco de vida que, ainda lhe resta, em uma cruzada em nome do amor. Afrontou preconceitos e acusações criminosas e adornou o lado doce do romantismo e da esperança de muitos. Infelizmente, o romantismo tem seu lado amargo, mas ela nem pensou nisso, aventurando-se em uma jornada de estrelas cadentes e suntuosas, com céus azuis cor de lua cheia e deixou aqueles que tomaram conhecimento do ocorrido, com sua desconfianças, seus atrelamentos a valores morais e religiosos e suas angústias próprias.
Reinaldo era solteiro, não trabalha e recebeu em doação, antes de casar, todos os bens de Adelfa. Mas que abençoada seja essa união matrimonial!
                                                             Saraiva Filho

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28.9.07

A GERAÇÃO INFORMÁTICA

Não pensem que vou falar de jovens. Geração da informática não é propriamente a dos jovens. Estes já transpiram pelo computador e outros meios digitais e SÃO a informática. Falamos dos que têm acesso à essa tecnologia de comunicação, que vai se tornando mais acessível e já pode ser adquirida pela classe média baixa, em termos.

Muitas das Instituições públicas e privadas ainda não adotam o sistema informatizado e a grande maioria resiste a isso, mas muitas Universidades, a indústria, parte do comércio, principalmente o de maior vulto, mesmo que não seja uma grande empresa, como as concessionárias de automóveis, as farmácias, as lojas de shoppings, etc, já se adaptaram. Pelo menos, usam o computador, mesmo que a mentalidade não seja de informática
Esse é um ponto crucial, onde se observa que a falta dessa mentalidade causa transtornos.

Por isso, pasmem! Não há, propriamente, uma Geração da Informática.

Todos os que estão no mercado de trabalho se acham envolvidos com atividade digital, direta ou indiretamente, do mais simples e dito humilde tipo de trabalho, até ao alto executivo das mega-empresas.

Ao pensar que o uso de instrumentos digitais, como o computador é uma atividade para jovens, os mais velhos, nascidos a partir do início dos anos 40 ou mesmo antes, dependendo da pessoa, se enganam. Usam esse raciocínio, como que para se eximirem de aprender e penetrar nesse mundo novo, que cada vez mais entra em nós e nos transforma, tornando-nos pessoas de um novo tempo ou nos exila na ignorância e na inoperância desastrosa de um trabalho antiquado.

O pior de tudo é a mentalidade burocrática aplicada aos que usam, por exemplo, o computador. Ou abusam das ferramentas, como o e-mail nas suas atividades profissionais, ou não abandonam o papel e, de qualquer coisa que julgam interessantes, tiram cópias, imprimem, transformam em uma papelada sem fim o que pode e deve ficar arquivado no próprio computador ou no CD, no pendrive ou em locais adequados na internet. Continuam com seus símbolos de um tempo que já passou: os arquivos de aço, ocupando espaço físico, utilizando pessoal de arquivo, utilizando uma metodologia de antanho, em atividades deste século XXI.

As pessoas na faixa etária dos cinqüenta ou mais anos, resguardado um número mínimo de internautas, não entendem a lógica de um equipamento de raciocínio binário ou, ainda majestosamente, atribuem a função de manipulação desse instrumento a uma categoria que consideram menor, como os digitadores, o que acontecia com os datilógrafos.

Técnicos do Governo, nas três esferas, como assessores, que desempenham cargos de relevância ainda escrevem seus projetos à mão, com lápis e borracha, guardados em um estojinho, como os estudantes de antigamente, fazendo seus trabalhos em sala de aula. Ou, ainda, colam tiras papel no meio dos textos, criando guirlandas de incompetência e falta de praticidade, perdendo produtividade em seu trabalho, fazendo com que os digitadores percam tempo em decifrar aqueles documentos, para passar para o computador.

Essa mentalidade do papel não vai ser fácil de extinguir, juntamente com a falta de comunicação ente PCs. Isto, ainda, está muito presente no nosso dia-a-dia, infelizmente.
                                                Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    8:33 — Arquivado em: Sem categoria

27.9.07

UM HOMEM COM DOIS CACHORROS VELHOS

Uma página de flor em meio aos altos muros e paredes de concreto de um centro urbano. Não uma flor de cheiro ruim, como a podridão das ações dos políticos corruptos e inoperantes, mas a flor de gestos simples, de aparência íntima, que confirma a leveza do ser humano, quando não envolto pelo poder e pelo dinheiro.

Um homem idoso passeando na calçada com dois cachorros velhos, os três lentos, sadios, na sanidade da singeleza, andando pela calçada desta cidade de São Luís do Maranhão, que se agiganta, com os impropérios, as mazelas e os terríveis defeitos das cidades grandes.

O caminhar descompromissado, vadio de propósitos de preocupação, na irrecuperável tranqüilidade dos velhos bem sucedidos, se debate com a azáfama de um povo sofrido, na contingência da máquina propulsora de sobreviver.

As faces, cabisbaixas pelo tempo, mas altivas pela possibilidade de viver feliz, entrecruzam transeuntes e veículos apressados, como que agredindo a vida conturbada da maioria. Não há mais o tempo e o local, na integridade desses três. O tempo corre como o roçar leve da pluma, no isolamento acompanhado e bem acompanhado, nas ruas já temidas pela violência, onde os dois cachorros, alheios aos perigos de sua própria velhice, trocam passos devagar, consolados pela proteção de seu dono.

Talvez um mundo acusado de ser romântico e inapropriado, alienado dos problemas cotidianos, mas leve, indissolúvel, intransferível e único. Um mundo, só mundo, próprio, incontornável e que demonstra não haver outro por trás, cheio de peripécias, contorcionismos questionáveis, males irreparáveis, que enlameiam a imagem cristalina de rostos felizes, confirmados por gestos insofismáveis de bem-estar e atitudes calmas, cavalherescas e de bons propósitos.

Um passeio matinal, como a manutenção de uma aura, nutrido pelo desejo de se manter fisicamente vivo e com alma sobrevoando amplidões e magnitudes de um dever cumprido, que se aquieta tranqüila, face aos problemas do mundo. Um exercício físico, sob o leve sol da manhã, sem rastros de angústias ou hora marcada, na comodidade de um bairro nobre, nas calçadas de pedras portuguesas, colhendo a brisa do mar.

Os dois cachorros de vida mansa, aquinhoados pelas mordomias de um trato humano, aquecidos pelo bem-querer de seu dono, festejados pelo carinho da família, se deixam levar desapercebidos de si mesmos, pelo caminho conhecido do quarteirão costumeiro. Nada os impede de serem alegres, só a velhice sorrateira, que os torna quase incomunicáveis com a vida, mas idôneos para continuar a vivê-la.

E, de uma das paredes de pedra, uma janela se abre a contemplar a cena romântica do passeio, vigilante na observação de seus sonhos. É obsequiada por uma visão privilegiada, em uma cidade que se remói na pequenez de seus propósitos e não tem tempo nem condições de vida, para apreciar um simples caminhar de um velho com seus dois cachorros velhos.
                                                  Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    5:53 — Arquivado em: Sem categoria

26.9.07

A DITADURA DA CORRUPÇÃO E DA IMCOMPETÊNCIA

Vivemos, desde primeiro de janeiro de 2002, a Ditadura da Corrupção e da Incompetência, sob o Tamanco tosco, analfabeto e de aparência ingênua, em uma democracia da avacalhação, do desrespeito, da desigualdade, da malversação do dinheiro e do patrimônio publico.

Congelamos, diariamente, nossas expectativas, na vala comum dos tratados por baixo, desde que os abaixo da linha da miséria sejam contemplados com o bolsa-esmola. A Saúde, a Educação, as estradas e todos os demais serviços considerados pela Constituição Federal como um dever do Estado, são prestados com incompetência e corrupção.

Na área internacional, as negociações do biocombustível têm, no Etanol, uma moeda de troca fraca. Esse produto, natural e inesgotável, é tratado na Europa com desprezo e acusação, como se fosse uma proposta de facínoras, depredadores do Planeta Terra – vide Amazônia - aliciadores de acordos espúrios. Enfim, criminosos de uma máfia de uma fonte de energia alternativa, quando aquele continente volta seus olhos para a farra da corrupção interna do Brasil.

Vivemos, desde meados do primeiro semestre deste ano, atormentados, aturdidos e estupefatos com o Arquivo Negro do Sr. Renan Calheiros, o AI 5 atual, mortífero e degradante, pressionando parlamentares corruptos ( seria pleonasmo?) , para não se deixar processar, mantendo-se na presidência do Senado e do Congresso. O comando de um Poder de Estado é conduzido pela desfaçatez, o cinismo e a falta de caráter de um homem, tudo comprovado por documentos, em processo julgado pelo Conselho de Ética daquela Instituição.

O Arquivo Negro que atemoriza, muda opiniões e desfalece expectativas de um julgamento justo pelo plenário do Senado, ainda, é acobertado pelo voto secreto. Este, resquício de outro período negro de força militar, que agora se transforma em outras forças, a da chantagem, da mesquinharia, da pequenez de propósitos.

O País se cala. A juventude se espanta, mas se acomoda. Os representantes das instituições como a OAB, a Procuradoria Geral da República, os Defensores da população se entregam à fácil saída de ser um problema interno do Parlamento Nacional e não querem enxergar que os desmandos da trupe Renan Calheiros, agora, ultrapassam os limites do Congresso e atingem, em cheio, a integridade moral e patrimonial da Nação.

Neste momento, com o Arquivo Negro, usado como instrumento de manobras para permanecer no cargo, o que existe é a denúncia do “rabo de palha” dos homens públicos, com raras exceções. É a exposição maléfica do Brasil ao domínio público, nacional e internacional.

A maioria dos formadores de opinião tem medo de falar, escrever, espernear, sobre a necessidade de um levante nacional, como foi o das Diretas e o do impeachment de Collor. Mas é imprescindível que grande parte da população, através de suas instituições, ainda respeitáveis, dos estudantes, dos trabalhadores, etc, movimente-se para extinguir esse cancro da corrupção, essa catrevage impune de parlamentares, que se assenhorearam de um dos Poderes da Nação.
                                                    Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    6:24 — Arquivado em: Sem categoria

25.9.07

O SENTIDO DE UNIVERSIDADE

 
Quando foi criada a tríade Ensino/Pesquisa/ Extensão, nos idos dos anos 70, havia uma finalidade definida para as universidades, que precisariam de um período de transição. Seria um processo que tiraria das antigas universidades o objetivo precípuo do ensino e as fariam se adaptarem a essas novas funções conjuntas, como unidade.

Aos poucos, iriam deixando para as Faculdades Isoladas e o Centros de Ensino Superior – estas instituições criadas pela Nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação - o ensino profissionalizante superior. Isso ocorreria até que esse ensino para formar profissionais de nível superior ficasse a cargo desses Centros e Faculdades, deixando para a Universidade o Ensino/Pesquisa /Extensão, para a formação de cientistas, estudiosos e professores.

A famosa indissolubilidade da tríade é uma falácia nas universidades. Junto com o ensino de graduação de profissionais, os alunos saem antes de a pesquisa ser concluída, na maioria das vezes. E, com essas condições, a Extensão é uma diversão inócua, além de outros problemas insolúveis.

As universidades, portanto, teriam o sentido de formadores de um tipo de profissional especializado, para uma renovação do conhecimento, para a universalização do saber e o uso desse produto na sociedade. A má interpretação dessa visão legal impediu que isso acontecesse e as universidades continuam formando profissionais de nível superior, acumulando funções.

A Universidade, também, pela proposta inicial, trabalharia para as empresas, como fonte de pesquisa, de reformulação de posturas sociais e econômicas, não perdendo seu foco em uma sociedade capitalista, por razões históricas.

Desse modo, um tipo de ensino, especializado na geração do conhecimento, nas universidades, seria para a erupção de Centros de Excelência, juntamente com a Pesquisa e a Extensão, que prestaria, inclusive, serviços gratuitos às comunidades carentes, atendendo a todas as classes sociais.

Teríamos, de um lado, a Universidade voltada para o setor produtivo, em geral, indústria, serviços – comércio - e agricultura, com tecnologias próprias e inovadoras, avançadas e, de outro, uma prestadora de serviços às necessidades básicas e fundamentais dos setores menos favorecidos, econômica e socialmente, atendendo aos clamores sociais de um país em desenvolvimento.

Mas, para isso, as universidades seriam públicas e teriam, na prestação de serviços ao setor empresarial, uma compensação financeira, para atenuar os gastos da União, para adquirir material e equipamentos de ultima geração, muitas vezes criados na própria universidade, além de protótipos a seriam fabricados, em série, pelas empresas.

As atuais Universidades particulares se transformariam em Centros de Ensino, graduando profissionais que o mercado de trabalho da sociedade necessita, como médicos, advogados, odontólogos, engenheiros, etc, juntamente com as Faculdades Isoladas. Essa qualificação poderia ser feita, também, por Centros de Ensino Públicos, para atender às camadas sociais desfavorecidas.

Nota-se, nessa concepção de Universidade, o verdadeiro sentido de sua existência, fazendo-se a adequação dos Centros Universitários autônomos, como determina a nova lei de Diretrizes e Bases, à sua real finalidade, o Ensino.

Infelizmente, as universidades se agigantaram com esse papel múltiplo, carregando o ensino de profissionais para o mercado e se perderam dentro dos labirintos de burocracia, sufocadas pela pressão mais recente das cotas.

E os que desejassem ser profissionais de nível superior procurariam, como já acontece, os Centro de Ensino Universitário e as Faculdades Isoladas, inclusive as públicas, dando à Universidade o sentido de unidades reais de ensino, pesquisa e extensão.
                                                      Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    7:37 — Arquivado em: Sem categoria

24.9.07

AS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS E SUAS OPORTUNIDADES

Já foi feito de tudo com a Universidade Brasileira, principalmente, desde os anos 60. Primeiro, a pressão dos estudantes secundaristas e suas famílias, para entrar nesse universo de “doutor”, causando a primeira onda de massificação do ensino.. Claro que nem todos conseguiam uma vaga e esse fato gerou frustração e a grande importância dada aos “Cursinhos”, seu reinado, na época. Hoje existem, sem a mesma avidez de então, mas ainda muito procurados.

Nova pressão social no final dos anos 90 e no governo Lula, resultaram em cotas para negros, índios e pobres. Instalou-se certa revolta, mais definitivamente, nos meios intelectuais e acadêmicos. As famílias que investiram nos estudos dos filhos, também, se uniram a esse coro discordante contra essa busca enviesada da igualdade de oportunidades, que gerou mais desigualdade.

O que é pior, essa medida fez surgir um tom desafiador de preconceitos contra esses segmentos sociais, que, à guisa de serem ajudados, caíram na vala comum da incompetência e da discriminação.

Não se pode conceber que o fator raça – que é inconstitucional – aliado ao fator pobreza venham distorcer os critérios de acesso às universidades, considerando que estas não são, simplesmente, fábricas de diplomas para o exercício de uma profissão. Têm, ou deveriam ter, na prática, o objetivo maior da pesquisa e da extensão, que as fazem sobressair como centro de excelência.

Deixam, assim, o lodo da inoperância, para o avanço do conhecimento e para a distribuição desse patrimônio à sociedade. Sem a pesquisa e a extensão as universidades são mancas, insalubres repetidoras de conhecimento.

A questão do acesso ao quadro discente dessas instituições se pauta ou deveria ter como objetivo a prova da capacidade intelectual e não a condição socioeconômica do pretendente. Gerar no quadro interno desses templos do saber o preconceito pela origem de seus alunos é ostentar a aceitação de uma desigualdade maior, não somente em relação aos colegas que entraram sem cota, mas com os próprios favorecidos por ela, que terão bastante dificuldade em acompanhar o conteúdo ministrado e. com isso, serem bem sucedidos.

Com um Projeto de Lei, que tramita no Congressos Nacional, garantindo uma cota de 50% de vagas, para os alunos das escolas públicas, tenta-se reunir o pobre, o negro e o índio em um só grupo discriminado, atribuindo o nome de alunos da escola pública, desamparados pelo governo. Em todos os aspectos, esses estudantes são relegados a uma condição inferior no processo ensino-aprendizagem, pela falta de tudo em suas escolas, a começar pela garantia de suas integridades físicas.

Enquanto não houver um empenho efetivo do Governo, sem essas soluções paliativas e paternalistas, não vai se reconhecer nas universidades a sua verdadeira função, que é criar um grupo de estudiosos, cientistas e professores capazes de reproduzir outros que tais e não, o que cabe aos cursos médios, a finalidade de formar profissionais para atuarem na vida diária, conseguindo empregos bem remunerados, engajando-se no mercado de trabalho. 
                                                      Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    7:03 — Arquivado em: Sem categoria

23.9.07

CONCESSÕES DO ARTISTA

Todo artista se pensa livre. Nos nichos de sua criatividade, naquela hora de se expor, ali, em qualquer circunstância, tem a aura do poder ilimitado de criar. Mas isso depende de muito esforço e suor, para a construção dessa hora. Os escritores, em especial os de ficção, rodopiam palavras, inventam métodos, usam estratagemas de apresentação de um texto e acreditam ter completado o ciclo da magia de montar uma história.

Há o pensamento vigente de que a obra de arte só tem valor se for apresentada, apreciada, contemplada por espectadores ou leitores e se esquecem , nessa argumentação, do prazer de fazer, de criar, do sonho inventado em instâncias quase transcendentais, que é só do artista. Aquela cena, surgida do nada, a que se avoluma na grandiosidade de um contraponto ou de uma marca indelével, tem o sabor marcante de algo muito íntimo, só do escritor.

No processo da publicação surge o tolhimento. As editoras e distribuidoras querem compradores. Começa, então, a dolorosa fase do retalhamento, do cortar, do acrescentar, da adaptação ao gosto do leitor, do espectador, do que compra. As mutilações, muitas vezes profundas, se ajustam, muitas vezes, a um gosto duvidoso, a um apelo do modismo de mercado ou, até mesmo, a um simples capricho do editor.

A real liberdade é poder dizer não na hora certa e nada tem a ver com o simples e romântico fazer o que se quer e almeja. Isso seria, despudoradamente, ferir o direito dos outros, em nome de sua vontade sonhadora. Concessão se faz a vida toda, em várias circunstâncias, como norma de convivência ou sobrevivência, mas transigir na arte é negar uma parte intocável do ser e, assim, deixar de ser artista.

Cabe lutar por seus ideais, mesmo que estes estejam na contramão do modismo, com um parecer desfavorável de pessoas formadoras de opinião. Mas a objetivação de seus sonhos tem um preço, que nem todos estão dispostos a pagar.
                                                    Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    7:13 — Arquivado em: Sem categoria

22.9.07

OS VILÕES: O HÍFEN E O TREMA

As variações que sofrem o modo de pensar e agir dos homens, ao longo da vida, são muito bem verificáveis na comunicação entre as pessoas. A tendência de se comunicar mais rápido, de forma mais concisa, mostra-se presente no dia-a-dia, advinda da agilidade do mundo dos negócios, onde as reuniões na empresa e entre empresas se tornam mais enxutas, necessitando, para isso, de um instrumento eficaz e eficiente de transmissão de vontades, desejos e propostas.

Mas o alto mundo empresarial é mais cauteloso, mais formal, com pouca abertura para impingir modificações na língua utilizada para se comunicar. Com a fermentação tecnológica dos meios de comunicação, a língua tem pressa, a forma de grafar as palavras tem que se adaptar a esse reboliço no mundo dos negócios e no modo corriqueiro de pessoas comuns entrelaçarem seus pontos de vista, suas fofocas, seus recados ou a simples diversão.

A reforma da língua, então, veio de baixo, sem passar pelas elucubrações dos gabinetes, mas da base essencial do modo de vida simples do homem comum, em seu computador em casa, escrevendo, através da internet. Nesse contexto gráfico, não há regras gramaticais, embora ainda haja alguns revoltados com isso, principalmente em salas de chat e mesmo no msn. Nos e-mails ( e o hífen aqui presente) da atividade empresarial ainda há certo resguardo e respeito à gramática, mas esta, formalmente, está mudando com o novo acordo ortográfico entre países de língua portuguesa.

E os vilões mais conhecidos e evidenciados são o hífen e o trema. O segundo irá desaparecer e o outro sofrerá restrições no seu uso, além de outras mudanças, também, importantes. Eles estão no paredão de execução, apesar do manifesto desgosto dos gramáticos mais conservadores.

Essa revolução ortográfica está ocorrendo, também, no inglês britânico, onde a prática já aboliu o hífen. A nova edição, saindo este ano, do Shorter Oxford English Dictionary, não traz esse sinal gráfico na maioria das palavras, salvo em alguns adjetivos compostos, que, sem hífen, causariam transtorno na interpretação do texto.

O poder dos gramáticos está desestabilizado e o cidadão, obscuro em sua simplicidade, vem ditando as regras gramaticais do teclado seboso da maioria das lan house ao sofisticado e sem fio dos gabinetes empresarias. E que a vontade da maioria prevaleça!…
                                                       Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    7:39 — Arquivado em: Sem categoria

21.9.07

O ANJO EUROPEU

No Brasil, o hábito da impunidade por crimes de homicídio e pelos de colarinho branco são tão freqüentes que quase nada nos espanta. O Presidente de um dos poderes da Nação tem quatro acusações sérias contra si, sendo apurados apenas com a força da oposição e permanece impávido e ousado no seu cargo.

Os crimes perpetrados, objeto da denúncia, parecem ser apenas mais uma pendenga política, uma celeuma, como gostam de dizer os políticos, pois só a oposição se movimenta para apurá-los e puni-los. Os “aliados”, com as mãos sujas de subterfúgios, de procrastinação e de defesas incoerentes, não vêem crimes, mas apenas o fustigar de descontentes e invejosos. E o país pára ou se arraste na elaboração de leis, no embate entre sua incompetência, sua falta de justiça e uma ação firme do Poder Executivo.

Outros crimes há, como os mensalões da vida, “as ambulâncias” e muitas outras operações da polícia federal, que confirmam a existência de corrupção no poder público, sem que haja uma solução. São tantos casos que a memória mais privilegiada tem que recorrer a anotações para se lembrar de todos.

Enquanto isso, o desaparecimento misterioso da menina Madeleine cria comoção internacional, evidente que por um motivo justo, mas mobiliza até o Papa, talvez por se tratar de uma criança de classe média alta, em países, onde a apuração de homicídios e outros crimes, é levada a sério. O titubear da justiça portuguesa que , na falta de acusados previsíveis, chegou a acusar os próprios pais, pelo possível homicídio daquele anjo loiro.

Como nossa herança administrativa e burocrática vem de Portugal, misturada a nossos próprios atropelos, não é de estranhar que o caso se prolongue, sem uma solução, ao menos indicativa de um caminho, de uma pista, para a solução do caso. A irresponsabilidade dos pais da menina, ao deixar crianças dormindo sozinhas no quarto de um hotel e indo jantar em um restaurante próximo, não justifica o motivo de apenas Madeleine ter sumido, envolta em mistério, sem deixar rastros para a perícia, a não ser o sangue no automóvel alugado pela família.

Em nosso país, o desaparecimento e o assassinato de crianças é tão corriqueiro que não mais nos espanta ou enternece. Os crimes perpetrados pelos detentores do poder e seus asseclas se vulgarizou, de tal forma, que a desesperança só não se instala definitivamente em nossa população, pela crença na grandiosidade e generosidade de nossa terra, que nos dá o alento em acreditar no futuro.

O Anjo Europeu aparecerá, viva ou morta, mas terá uma solução, apesar da polícia e da justiça portuguesa. Em nosso país, onde a presença de um Estado institucional convive com um Estado paralelo, comandado pelos traficantes de drogas ilícitas e por políticos corruptos, a solução deverá ser a muito longo prazo. Será necessário uma mudança radical de mentalidade, onde o tirar vantagem pessoal e a teima em não reconhecer a coisa pública como patrimônio de todos, terá que desaparecer aos poucos, nas vagas indolentes dos mares da construção de uma nova moral.
                                                           Saraiva Filho

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