21.6.06
Que recompensa expresso
em compor poesia?
Será que acendo o admirável excesso
de sensibilidade e harmonia?
É o que queria:
ter como glória
a conquista dessa vitória
de buscar ser feliz no infinito
na maldição do ter dito
o que penso, sinto e grito.
Saraiva Filho
15.6.06
Quero ter o preço
de tua física ausência,
dos aconchegos dos intervalos
ou, à noite, em querência,
te vendo como em retratos,
no agasalho da tela,
como aquela, dona meus atos.
Suspirar com teus temores
de seres flores
de um jardim finalizado.
Inspirar os odores
de teus humores,
de tuas facções ortodoxas,
com desejos e vontades heterodoxas,
aceitando um final de dia,
na tua manhã de futuro ampliado.
Saraiva Filho
11.6.06
Os ondulantes e longos cabelos.
o rosto fino,
branco, com negróides traços,
são apelos de hino,
canções e espaços,
de misteriosa mágica
em teus lábios grossos.
A eterna companhia,
de pele morena,
de estatura pequena,
com o viés de própria personalidade:
o tipo estardalhaço,
brincalhão, palhaço,
na alegria do vácuo da vida,
onde está inserida,
não importa a seriedadedos ossos da liberdade.
Saraiva Filho
9.6.06
Folhas de papel unidas
com certas confissões,
reuniões, compromissos,
divagações, obrigações
suas fotos de biquíni perdidas
e, em campos especiais, ungidas,
as ilusões de avisos
sobre você, seus poemas,
com todos os temas.
Me acompanha silente,
ao mesmo tempo falante,
emanando cliente,
trabalho, horário enfadonho,
mas no mesmo espaço gostoso,
voando de um lugar a outro,
sua frase caliente, seu gesto dengoso,
seus enormes seios gritantes
e, como num sonho,
seu ser, seu fazer, você.
Saraiva Filho
Alimente este amor, como em Viena,
com cheiro de VIDA, minha pequena,
mesmo em almas perfumadas,
com teus cheiros de cansaços e carinhos,
teus cheiros de sol, de frio e de ninhos
acalentados em lençóis de seda.
O cheiro de canal, de vereda,
de perfumes de deuses,
todos africanos,
o estalar de enfiteuses, todos os anos.
Saraiva Filho
6.6.06
Me vejo como em teus olhos,
na literal extensão de mim,
tendo-os no fim
de nossa expressão corporal,
envoltos na cama,
com a beleza abismal,
juntos, na mesma direção.
Não são olhos de tristeza.
Tem-se a sensação
de algo vital
e, com toda a certeza,
estão além do natural.
Saraiva Filho