28.5.06
PORÇÃO DE TI
De tempos passados,
de amores tecidos,
de momentos vividos,
tenho a sã consciência
da tua presença.
A sutil e benéfica luz
que traduz a querência
única, feliz, inabalada
porção de ti.
Saraiva Filho
De tempos passados,
de amores tecidos,
de momentos vividos,
tenho a sã consciência
da tua presença.
A sutil e benéfica luz
que traduz a querência
única, feliz, inabalada
porção de ti.
Saraiva Filho
Da construção de saudades,
ao lado da beleza de idades,
te pinçaste altiva e sobresaístes,
envolta em contrastes de certeza,
na evidência de seres tu mesma,
com teus encantos e vibrações de alteza.
Agora, lembro-te nua,
como sendo tua
toda a leveza esguia,
com seios em forma de lágrima,
quadris esbeltos, como guia,
em viagens inesquecíveis
por horizontes incríveis.
Não és só lembrança:
estás presente à distância,
sendo a ponte
deste passado/presente.
Saraiva Filho
Estive a um passo
de dizer te amo,
mas não reclamo
a falta de coragem,
pois tenho ainda a imagem
de teu afeto incompleto,
por estares ocupada
com a lembrança anuviada
de outro amor.
Saraiva Filho
Durmo de dia,
sou como vigia
de minha doce ilusão.
Faço vigília,
abraçando versos
os mais diversos
com aquela emoção.
Destranco portas
e exponho fantasias tortas,
nos desvãos entreabertos,
nas entrelinhas das frestas,
dos horários carcomidos
e ponho ouvidos
nos horizontes devidos.
Saraiva Filho
Nas inexistentes distâncias do virtual
(Encontrarei ainda uma palavra certa!)
sinto a realidade mais perto,
mesmo em lugar ermo,
pois vejo a parceira no real,
do outro lado e, esperto,
falo meu ideal:
tê-la na tela,
com todo o teu potencial.
Saraiva Filho
Não quero essa paz no mundo,
esse lado errático, imundo.
de individualismo crescente,
esse paternalismo "criança esperança",
esse aproveitar-se da pessoa em trança,
essa desobediência civil,
ao lado nascente
de uma corrente
que leva ao atoleiro.
Quero um mundo inteiro,
com sua diferença,
sem a cobiça da globalização,
essa invenção do consumismo
e , para isso,
uso a palavra como força premente,
para alterar esse inconsciente
mundo cão.
Saraiva Filho
Se as palaveas falassem,
o que elas diriam?
Falariam que amo
ou me engano?
Falariam dos gestos,
que também falam?
Ou trancariam você
nos abraços dos sons,
que embalam?
Ou nos carinhos, que não calam,
são como certos bombons
que não dissolvem, acalmam?
Saraiva Filho
Veio de longe, mas está perto,
na brisa do conforto físico
e sem tempestade não se torna esperto,
deveneando no corpo da vida,
como vivida em todos os tons,
nos sons do arrastão da saudade,
daquela vontade
do amor verdade,
da exigência da areia-pó
de dunas além-mar,
pois não ha vida resolvida,
apenas a acomodação como lar.
Saraiva Filho
Quem se importa,
se o sonho fugir,
se meu amor não quiser ir,
se a sombra não tem luz,
se o amanhã virar cinza,
se a refeição escapulir?
Quem se importa,com as opiniões ,
com os vilões,
com os altos verões,
se a máscara da insanidade,
por afinidade,
se instalar na escuridão?
Saraiva Filho
Admiro a essência do poeta.
Não tenho,
um inferno!
Plantar batatas?
Não quero.
buscar a forma?
Altero,
descrevo,
impeço a norma,
entro em desespero,
faleço!
Saraiva Filho