21.4.06
TE ACEITO
Sofro o teu sofrimento,
choro tuas lágrima
e as enxugo com ternura.
Se por ventura
me deixares chegar perto,
aceito teus lábios em pensamento.
Saraiva Filho
Sofro o teu sofrimento,
choro tuas lágrima
e as enxugo com ternura.
Se por ventura
me deixares chegar perto,
aceito teus lábios em pensamento.
Saraiva Filho
Não aceito desculpa
e não carregues a culpa
desse vazio peculiar.
Dá a sensação de estar
voando no deserto,
iludindo paixões,
em todas as frações,
na masmora da espera,
sufocando ilusões travessas,
nessas camadas espessas,
de não poder te amar.
Saraiva Filho
No embaçado da sombra,
o rosto sutil e belo
parecia cutelo
a cortar a beleza,
a elegância, a fragrância,
do todo envolto em tristeza.
Lembranças amargas,
trazidas do ontem sofrido,
turvadas por rotinas,
sugeriam cortinas,
escondendo teu tudo.
Saraiva Filho
Com a magia do envolvido,
a fração secular do escondido,
imprimem-se clarões,
fala-se de caos e medo
e, sem chavões, recorre-se à esperança.
Tubinam-se dores de degredo,
de insolência casual da criança,
sem trincar um segredo.
Saraiva Filho
O travessão no ponto de exclamação,
os tremas nos pontos arrepiados,
os parênteses dos quadris,
como hífem de união,
sublinhando a palavra,
sem interrogação.
Saraiva Filho
De olhos vendados,
sem sentir dor,
contorcia-se contida,
sem alarido alado,
envolta em si,
a se esfregar na sua sombra,
no arrulho de pomba,
tonta de prazer,
como queria fazer em ti.
Saraiva Filho
Sinto por ti um afeto premente,
presente,
com a sensação de não ausente
nessa viagem
que não quero saltar
nos trilhos da vida.
És tu, tenho certeza,
ainda que presa
aos grilhões do medo,
que quero o mais cedo.
Saraiva Filho
Olhos graúdos como meia uva
em sépia e branco titânio,
translúcidos, aflitos e límpidos
como espanto, algo instantâneo,
na ternura de calores,
me encaram pertinazes,
descrevendo mistérios tenazes
de uma solidão desarrumada,
por sofrerem a vertigem de horizontes
e das nuvens nos montes.
Não existe distância
no amor, na fragrância
de uma relação constante,
sempre brilhante
e presente/ausente,
na obesidade da existência
rente à eterna curiosidade.
Não há distância
na constância
de amar.
Musa,
"matéria-prima de rima",
cria o avesso do chão,
deixa o clima aceso,
destroi desilusão,
entra na contra-mão,
invade a fantasia.
Tudo o que o poeta queria, teso:
só ser o que teria.
Saraiva Filho