LiberdadeDaPalavra

ARTIGOS sobre fatos políticos, econômicos e sociais. Liberdade, palavras e ações.

30.4.06

BLOG E A LITERATURA

 

O Blog Literário ou Blog Autoral, como também é chamado, apesar de ser mal entendido e, geralmente, mal usado, é uma alternativa de construção literária, longe da mídia tradicional e, muitas vezes, tendenciosa e preconceituosa.

Na verdade, o Blog está deixando de ser um diário de adolescentes ou um depósito de incongruências de adultos, embora não apresente a pompa do Site ou da Revista Eletrônica. Mas funciona como um Livro Eletrônico, que o escritor dispõe, sem as mazelas e complicações do Site.

Um grupo de pessoas, sem qualificação literária, transformou o Blog em diários ridículos ou elemento de uma literatura capenga e defeituosa, sem valor literário, desvirtuando a utilização desse recurso de informática. E algumas  pessoas quiseram aparecer como literatos, em busca de Revistas Eletrônicas, embora haja lugar para todas as manifestações de opinião, mesmo com o formato de papel.

Sou pelo livro literário on-line, uma forma intermediária entre o Blog tradicional e os sites de Revistas Eletrônicas. E é isso que tento fazer aqui, levando ao leitor, paciente e compreensivo, textos, que considero literários, com uma mensagem estética.

Isso não é solipsismo, mas Literatura e Arte ainda é para poucos.

Obrigado por visitarem este Blog.

                                          Saraiva Filho 

 

 

criado por SARAIVA FILHO    8:02 — Arquivado em: Sem categoria

28.4.06

GLOBE-TROTTER VIRTUAL

 

Homem do mundo

vai fundo,

no merecer de querência.

Mas tenha paciência,

não atole a sombreira

em alma de caveira,

nos tortuosos laços

de uma árvore trepadeira.

                    Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    11:30 — Arquivado em: Sem categoria

SEM CORAGEM

 

Meus olhos calados de Sol,

cansados de estiagem,

se iluminaram com os teus,

mas não tiveram coragem

de competir com Zeus

e quedaram tristonhos,

com teus olhares risonhos,

sem esboçar sentimento,

todos de amor, em pensamento.

                                            Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    4:39 — Arquivado em: Sem categoria

27.4.06

IMPÁVIDO GESTO

 

Enquanto te esperava,

vislumbrei teus seios,

teus anseios,

teu impávido gesto,

que estava implícito,

no âmago solícito

de tua presença.

                        Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    9:18 — Arquivado em: Sem categoria

26.4.06

A TEU LADO

 

 

Deitado a teu lado

na contingência de amar-te

que seja como arte

o ardor de meus desejos.

Que vibrem os músculos,

como seres alados.

Que batuquem cavalgados

os minúsculos arpejos

de tua sonoridade.

 

 

 

criado por SARAIVA FILHO    5:49 — Arquivado em: Sem categoria

FILOSOFIA ANTROPLÓGICA DO TELE TRABALHO

 

A primeira providência que se deve tomar, para entender o tema, é conceituar Tele Trabalho, uma abordagem ainda confusa na cabeça das pessoas e confundida com outras categorias de trabalho.

O Tele Trabalho é um trabalho que se realiza fora de um ambiente pré-determinado (empresa, fábrica, escritório, etc. ), onde desejar e que pode ser exercido de quatro formas: com vínculo empregatício, por meio de terceirização, como autônomo e em forma de empresa.

Com vínculo empregatício, o empregado é caracterizado na forma do artigo 3º da CLT, mas esse trabalho sendo realizando em qualquer lugar, à sua escolha. É apropriado a trabalhos-tarefa, como o nome diz, executados por tarefas, cumprindo um prazo determinado, sob a subordinação do empregador, em caráter não eventual, estando o empregado à disposição do empregador, em determinado horário, mesmo que a tarefa não se realize naquele horário. E pode ser utilizado como trabalho de apoio administrativo, também, nas mesmas condições. Terceirizado, com a utilização do trabalhador em local por ele determinado, sem vínculo empregatício, de forma continuada ou não, sem se submeter à subordinação, apenas acolhendo alguma diretriz do contratante. Como autônomo, procedendo a trabalhos nitidamente eventuais, fora de uma instituição, sem vínculo empregatício.

Como empresa, esta estará em local por ela determinado e pode contratar trabalhadores seguindo os ditames das três formas anteriores. Pode ser uma relação contratual com pessoa física ou jurídica.

Dessa formas apresentadas, a mais difícil de entender, pelos especialistas, é o Tele Trabalho com vínculo empregatício. Confundem com a terceirização tradicional, porque fora da instituição e alegam que necessita de uma legislação específica. Não há como concordar com esse aspecto, de vez que a legislação brasileira atende, no mesmo grau de satisfação, como o faz a outros empregados.

A questão maior da adoção do Tele Trabalho está no aspecto antropológico do trabalhador, pois sua vida pessoal muda inteiramente de rotina, conhecida e aceita por todos. Nesse aspecto antropológico, não há mais o levantar cedo, vestir-se para sair, tomar um desjejum apressado e ir para o trabalho. Tem-se a impressão de que os dias são mais longos, considerando que não há mais o inconfundível cafezinho e a conversa com os colegas, o estresse da cobrança imediata e presente do chefe, a surda e perversa concorrência com seu companheiro de trabalho, as insuportáveis festas institucionais, de aniversário e datas típicas, como o Natal; as críticas destrutivas e os comentários sobre o visual dos parceiros de trabalho, as conferências de auto-ajuda intragáveis que tentam conciliar o inconciliável, além de outros aspectos desagradáveis que a vida em comunidade organizacional oferece.

Ao contrário, o lar passa a ser não só um lugar de descanso, a fuga da loucura empresarial, o lugar para dormir e resolver problemas domésticos. O corpo humano passa a ter um outro aspecto físico e mental, em decorrência de a casa ser lar, não mais o esconderijo próximo ao local de trabalho ou nos bairros periféricos, com todo o desconforto pessoal que isso acarreta. A casa, a praia, ou outro país pode ser o local de trabalho, tendo a casa como o local de conforto e bem-querer do trabalhador. Este passa a escolher seus amigos e não os tem impostos pelo trabalho.

O volume de tráfego diminui nas ruas, com a desnecessidade daqueles indigestos horários de pico, tanto durante a semana, quanto nos fins de semana, prolongados ou não. Os investimentos públicos com infra-estrutura viária urbana caem em velocidade vertiginosa, sem a necessidade de cada vez mais viadutos que enfeiam as cidades e pontes que atravancam o trânsito, em vez de desobstruí-lo. Possibilitará, também, um período maior para a manutenção e conservação de ruas e avenidas, a diminuição do volume de veículos de transporte coletivo, ocasionando maior qualidade, além de outros benefícios à pessoa como transeunte ou motorista. As pessoas passarão a ir à rua para se divertir, fazer algumas compras, pois outras já são feitas pela internet.

Os meios tecnológicos, que, cada vez mais, trazem a rua para dentro de casa, utilizando-se de novos equipamentos sofisticados e a rede mundial de computadores, facilitam muitas tarefas cansativas e que exigiam o "sair de casa". Muita coisa se faz hoje via internet, que neste 2006 completa dez anos de existência no Brasil. A tendência é se ampliar essa rede de serviços e diversões, sem a conhecida e tradicional forma de objetivos de locomoção.

Mas o corpo do Homem não ficará inerte dentro de casa, gerando obesidade comodismo e doença. Haverá maior liberdade de locomoção, com horários flexíveis, com atenção à família e a seus hobbys, fomentando a parte criativa do ser humano. Ele deixará de ser um "viciado" em trabalho e não ficará à deriva, na aposentadoria.

O computador, seja qual for o formato que assumir, seja de celular, seja de tomigotch (bichinho virtual, em sua mais nova versão interativa) ou de outra qualquer, é realmente um instrumento de trabalho e de diversão. Sendo que as dúvidas ou acordos que o empregado tiver ou fizer serão resolvidas com um escritório central e dar-se-á por meio de e-mails, MSNs ou somente alimentando o sistema. Isto acontece com um provedor próprio de cada empresa, sem papel, e não mais o tradicional site. Não haverá mais um local onde o empregado senta em uma cadeira desconfortável e adquire o abominável hábito do sedentarismo, em um prédio grande, para onde a pessoa se deslocará com seus colegas, tangidos como gado.

E é através desse instrumento de informática que o indivíduo passará a ser o dono de seus meios de produção, pois será proprietário da máquina que produzirá seu trabalho e não mais, como acontece, atualmente, as empresas e empresários terem o domínio sobre esses meios.

Há ainda outros aspectos que se modificarão na filosofia antropológica do trabalhar com o Tele Trabalho, mas não cabem nesta pequena abordagem.

Por outro lado, há, na contramão da história, Escolas, Empresas, até as de grande porte, como a Petrobrás, e Instituições Públicas e Privadas que proíbem o uso de Chats e MSNS pelos alunos e trabalhadores, como afirma a Revista ISTO É, na seção Comportamento. O argumento é que esses instrumentos de informática atrapalham o desempenho de alunos e profissionais. Que desempenho seria esse, senão o rançoso conteúdo repetitivo, deixando fechadas "as portas" das Escolas, Empresas e outras Instituições, evitando seu enriquecimento com o contato instantâneo com o mundo, porém sem excessos, estes sim devendo ser combatidos.

Mas, contrariando essa posição retrógrada, diz Caíque Severo, em seu Curso Básico de HTNL: hppt://informática.terra.com.br, que "as indústrias sonham com o dia em que poderão vender diretamente aos consumidores, sem nenhum intermediário. Empresas de Comunicação esperam o meio que vai reunir rádio/TV e televisão em um mesmo sistema de produção. Pais de estudantes matam as saudades pelo monitor. E paqueras virtuais acontecem a toda hora em cada canto da rede.

A internet é tudo isso ao mesmo tempo."

22/04/06

MSc.  Saraiva Filho

Jurista e ex-Coordenador e ex-Professor do Curso de

Direito da Universidade Federal do Maranhão.

 

criado por SARAIVA FILHO    5:36 — Arquivado em: Sem categoria

24.4.06

SENTIR ASSIM

 

Quero me sentir todo dia assim:

um pedaço de mim,

inteiro na criação sem fim,

buscando laços,

tentando traços,

dizendo da rotunda beleza

do infinito,

expondo a crueza do bonito,

em atos de grandeza,

gerando fatos de certeza.

                           Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    21:10 — Arquivado em: Sem categoria

23.4.06

EXCESSO BEM-VINDO

 

Tamanho padrão,

oclusão de fornidas,

ilusão da perfídia,

criada pela mídia.

 

A fineza exposta na magreza,

buscada com avidez e certeza,

apaga a beleza

da fartura feliz.

 

Oculta a o que , na realidade, diz:

vivo a vida por todos os cantos, imperatriz,

sem prantos,

nem espantos,

abarcando a solidez dos encantos.

                                     Saraiva Filho

 

criado por SARAIVA FILHO    19:51 — Arquivado em: Sem categoria

IMAGINAÇÃO

 

Olhei teu corpo

e imaginei as marcas

que o tempo faria.

Fui sondando nas arcas

onde guardarias

teus peitos bem feitos,

as curvas da padaria

o mau gosto de minhas observações.

Não encontrei na mente

esse tempo, levado pelo vento.

Cada desvigor adquiria

uma beleza nova,

como prova de tua beleza e alegria,

que está em Ser

e não em Ter.

                        Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    7:48 — Arquivado em: Sem categoria

21.4.06

O HOMEM QUE NÃO CONSEGUIA LER PAPEL

 

 

 

Não era analfabeto. Tinha doutorado em Ciências Sociais e uma graduação em Sociologia. Não tomava medicamentos que pudessem turvar sua concentração e visão, nem sofria de Distúrbio de Déficit de atenção. Mas não conseguia ler nada em papel, revistas, livros, jornais, nada que, também, tivesse um conjunto de palavras ou períodos muito longos. Nem bula de remédio. Uma situação desagradável, para quem ministrava a disciplina Relações de Classe Social, no Mestrado da Federal de sua cidade natal.

Hamilton se sentia amputado nisso que, a princípio, considerou uma deficiência e chegou a consultar diversos médicos e a fazer vários exames, físicos e psicológicos, mas nada fora encontrado que justificasse seu "problema". Aceitava, sem desconforto, ler artigos breves na tela do computador, redigir mensagens e conversar no MSN. E assistia a filmes com legendas.

Nos romances de costumes e livros científicos, de que tanto gostava, que iam se amontoando sobre sua mesa de trabalho, porque ele os comprava com freqüência e se forçava a ler, dificilmente passava da terceira ou quarta página. Um espécie de idiossincrasia se instalara em sua mente e, por mais que insistisse, , acomodando-se em sua poltrona predileta, terminava logo por fechar o livro e a deter-se em pensamentos de outra ordem, embora ligados ao tema.

Considerava-se uma pessoa voltada para o futuro, com pensamentos criativos sobre novas formas de relações sociais, que iam além da globalização e do consumismo da sociedade capitalista atual. Não tinha a desculpa para seu comportamento, que aos outros parecia estranho, a interrupção de mulher e filhos, de vez que era divorciado e morava sozinho., produto da distância de seu curso na França, antes da transformação por que passou esse país, com a emancipação das colônias, principalmente as africanas.

Não conseguia entender o avanço tecnológico em tantos campos do conhecimento e, ao mesmo tempo, a mesmice burocrática em certos comportamentos na relações sociais, onde os benefícios da informática não eram utilizados, principalmente no Brasil e, pior, em sua ilha aconchegante, São Luís, capital do Estado do Maranhão. Só as contradições inerentes à natureza humana poderiam explicar.

O controle social dos serviços públicos, na nossa sociedade de massa, praticamente não existia, embora, em alguns órgãos, tivesse a presença de computadores em rede, como símbolo de desenvolvimento de certas atividades. Nem sempre esses computadores eram usados e, quando isso acontecia, o usuário adotava o mesmo raciocínio e procedimento da época do papel, sem se adaptar, realmente, a uma gestão operacional informatizada. Algo que dispensasse os famosos arquivos de aço ou as pastas em material plástico, que substituíram aquele calhamaço mastodôntico de A a Z, com a parte frontal preta.

Havia uma justificativa impiedosa para tal procedimento e sempre há para a acomodação. Não se rompe impunemente com o passado. O argumento era de que os computadores não eram confiáveis: havia queda de energia; eram frágeis e deterioravam seus componentes com a maior facilidade: e existiam limitações quanto a programas para fazer determinadas tarefas, como confrontar dados. Enfim, eram quase um acessório, auxiliando no trabalho diário. Essa ingenuidade escamoteava o poder dessas máquinas e demonstrava a preguiça mental em encontrar caminhos de execução, que substituíssem programas inexistentes e a falta de corrente elétrica podia ser eliminada com a instalação de no break, sem que nenhum desses fatores pudesse gerar a perda de arquivos no processador. Além do que podiam se guardadas as informações importantes em CD ou equivalentes, sem presença de grandes locais de armazenamento, sua conservação e manutenção e com a facilidade de proceder a cópias, com a maior facilidade.

Em um recente curso de aperfeiçoamento que fizera na Universidade de Havard, utilizava seu note-book para todas as atividades escolares, de simples anotações em sala de aula a trabalhos e pesquisa. Havia colegas seus que faziam isso por meio de celulares avançados, sem que uma folha de papel fosse usada. Sobre o balcão de atendimento, havia um pequeno computador em que qualquer pessoa preenchia formulários ou simplesmente fazia sugestões ou reclamações ou agendava entrevistas com os professores em seus gabinetes, se não estivesse ali com o seu instrumento de informática.

Hamilton não se conformava com os textos longos, com a ausência de síntese. Apreciava a concisão da poesia. Na fase de sua dificuldade, chegou ao absurdo de pensar em contratar uma pessoa, uma leitora, mas viu a inconveniência em distrair-se com outros pensamentos e perder seu tempo, além de querer discutir o que era lido, se a pessoa tivesse condição para isso. E, se fosse mulher… outras distrações poderiam surgir, na saudável atração que deve haver entre os sexos.

Conformado com o que chamou de sua deficiência, utilizava-se do que lhe oferecia a cada vez mais ampliada rede mundial de computadores, sem mais questionamentos ou reclamações
                                                                 Saraiva Filho

 

 

criado por SARAIVA FILHO    12:52 — Arquivado em: Sem categoria

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