25.3.06
PINTAR VOCÊ
Pintar você?
Não houve tinta!
Sumiram os pincéis,
mesmo os mais fiéis.
A cor de teus olhos,
de teu cabelo. da tua pele linda…
Não houve tintas!
E não haverá,
por que sobra beleza
na tarefa finda.
Saraiva Filho (Monet)
Pintar você?
Não houve tinta!
Sumiram os pincéis,
mesmo os mais fiéis.
A cor de teus olhos,
de teu cabelo. da tua pele linda…
Não houve tintas!
E não haverá,
por que sobra beleza
na tarefa finda.
Saraiva Filho (Monet)
Na noite, somente as aves dormem
e os de comerciais horários não se movem
Não ter a luz artificial,
mesmo pálida luminosidade do astral,
dormindo, fingindo morrer em parcelas,
como a única fonte de aquarelas,
de sobrevivência eterna,
parecendo terna,
é o retrato de aves
com a nua ironia da agonia.
Saraiva Filho (Monet)
Nem a luz cobriu a sombra de teu corpo,
tornando morto o alvorecer,
após uma noite exausta.
As voltas destacadas da cintura,
invenção única da natureza
(um belo capricho)
ficaram mais curvas
e a beleza de tua pele, mais pura,
Saraiva Filho (Monet)
Faço quadros
espalho cores,
demito odores,
para te sentires perto.
Exponho obras,
coleto provas
de teu amor infindável,
no inefável aconchego
do teu incomum sossego.
Saraiva Filho
Alquimista de palavras,
orquestra de sentidos,
de todos os tempos vividos,
orador de dolorosa lucidez,
manuseador de signos e significados,
operador de sentimentos
envolto em sons e sonhos
para ser poeta.
Proprietário de ilusões,
cultivador da musculatura do verso,
usando de todas as versões,
para ser poeta.
Saraiva Filho (Monet)
Nossos olhos têm a mesma voz,
obrilho e o tom
do sentimento perfeito, bom,
a inconstância do desviar, o fixar no momento preciso.
a ternura de saber: nada acontecerá,
mesmo se determinar o inciso.
É o poder de conter o inconfessável!
Nossos olhos nos falam, sutis,
coisas infantis, de cor engraçada
de uma forma traçada
por nossos perfis.
Saraiva Filho (Monet)
Poseia como tinta
pinta as cores do insconsciente,
proporciona o advento da verdade
ou ofusca a insanidade, vaidade
e, às vezes, torna presente
um passado recente.
Eatá em toda parte,
mesmo na mais obscura idade
Saraiva Filho (Monet)