31.3.06
VISTA DE COSTA
Vista de costa,
como mesa posta,
esticada na cama,
resplandeces o quintal,
a trama,
a sombra, o umbral,
de devaneios e desejos
Revelas a ponte
entre a fonte e o varal,
esticada, solta,
em diagonal.
Saraiva Filho (Monet)
Vista de costa,
como mesa posta,
esticada na cama,
resplandeces o quintal,
a trama,
a sombra, o umbral,
de devaneios e desejos
Revelas a ponte
entre a fonte e o varal,
esticada, solta,
em diagonal.
Saraiva Filho (Monet)
Nada funciona no limite.
Há verve autêntica de ser livre.
O verso solto,
as pequenas porções de amores,
de paixões, de odores,
o traço leve das pinturas e das cores,
o indecifrável mistério
da magia da Música.
Tudo altera, em velocidade incólume.
Até as atrocidades da vida!
Saraiva Filho (Monet)
De frente, teu rosto
nas ombreiras da tela.
Pareces aquela
que tenho gosto:
deslocas mares
e moras na lagoa
e aos pares
és ave diurna
que não magoa.
Saraiva Filho (Monet)
Nos sonhos da noite insone, a cerimônia.
Expele-se parcimônia,
lucidez, sinceridade, magia, alegria.
Nas horas de intensa luz, o profano.
Morre-se na contraditória frieza
do estúpido cotidiano,
mediano, insano,
de contorcidos traços de leviandade.
Na noite, o amor cigano, o entrudo.
E, apesar de tudo,
há os benefícios gatunos da liberdade!
Nos sonhos da noite insone, a cerimônia.
Expele-se parcimônia,
lucidez, sinceridade, magia e alegria.
Nas horas de intensa luz, o profano.
Morre-se na contraditória frieza
do estúpido cotidiano,
mediano, insano,
nos contorcidos traços da leviandade.
Na noite, o amor cigano, o entrudo.
Apesar de tudo,
há os benefícios gatunos da liberdade!
Saraiva Filho (Monet)
Carreguei, até outro dia, as pedras…
Não as do caminho, como as de Drummond,
mas as que vieram do ninho,
sacudidas e esbagaçadas, sem som,
as das estradas,as das quedas, as das malícias,
as das delícias distorcidas e as das carícias.
Tenho a dor da dormência,
na falta de tato, contida em diversos estragos,
ausência de flor, mais os odores da pertinência,
dos favores de outras saudades e de tua ausência.
Saraiva Filho (Monet)
Não sei se povôo matas
ou mato macacos,
se procuro o rio
ou subo mantanhas,
se adentro mares
ou me ponho na logoa,
se invento invernos
ou ergo a proa em infernos,
se cego a faca
ou faço o fio,
se arremesso começos
ou curto o fim.
Só tenho certeza de que não fico aqui.
Saraiva Filho (Monet)
Há desejos estarrecidos
na pluma viril
da conquista sexual
Há perfumes inconfundíveis
na visão de cobradores da mente
Há cheiros de antemão,
que vão, propalados em qualquer vão,
perseguidos pela acrobacia de uma visão.
Rostos que exalam o perfume
de todo o corpo, confundidos pelo tempo
em que ficou guardado o húmus do desejo.
Pernas que agasalham o arcaboço do ciúme.
Porções que marcam o afã de ficar juntos.
Saraiva Filho (Monet)
No centro da mesa
o computador e as idéias,
papéis soltos,
escritos loucos
e o padrãp das janelas,
fechadas para caminhos de plebéias,
abertas para os odores da beleza.
Na cozinha, o eflúvio de panelas,
de todas elas,
ambulantes do descaso,
doidivanas da tristeza,
fogem, apavoradas e desprezadas,
da dona, não por acaso.
Saraiva Filho (Monet)
Hoje vi teu corpo
em partes
pequenas
suaves e serenas.
Deu vontade
irrevogável
de ter a imagem
translúcida
da viagem
que não posso ter.
Saraiva Filho (Monet)