2.1.09
NA RESSACA DO ANO NOVO
No calendário inventeado pelo homem ocidental, para parte da humanidade, vai começar um novo ano - 2009 - , sendo que a estrutura de vida das pessoas segue a sua trajetória, independente disso. Ocorrerão oportunidades, catástrofes, desalentos pessoais e vitórias e alegrias, como sempre acontece no decorrer do tempo. A configuraçào econômica e social dos países e comunidades permanecerá a mesma, regida pelo capitalismos, apesar de crises econômicas de grande ou pequeno porte, como é o caso da ocorrida em 2008, com a deblaque da economia dos Estados Unidos, arrastando os outros países nessa wave infeliz do governo Bush. Há uma aparência de rachadura no sistema mundial capitalista, na transição de um capitalismo selvagem para, talvez, um capitalismo humanitário, como o implantado na Noruega, onde a pessoa, o homem, o indivíduo está na frente do lucro do capital pelo capital e são oferecidas ao ser humano as condições básicas de vida, como a própria vida, a saúde, a educação, a habitação e a segurança pessoal e comunitária. O que vem ocorrendo nessa pseudo-catástrofe é a mudança de atores da especulação do capital, mudando as pessoas ou, quem sabe, países que comandavam esse processo especulativo, retirando lucro do próprio capital, sem haver produção de mercadorias. Daí, a agitação no mercado de capitais mexendo no investimento da industrialização, da agricultura e nos serviços prestados às pessoas, ou seja, na produção, de um modo geral. Mas a vida continua, independente da entrada desse novo ano, devido a que esse processo de mudança no cenário econômico vem ocorrendo, lentamente, a vários anos e só agora se concluiu nisso que chamam de crise. Como mudança de agente ou atores dessa peça encenada no mundo o capitalismo poderá ter um novo rumo, adotando-se um outro processo de acomodaçào e , espera-se, sem a ânsia despudorada pelo lucro rápido e fácil da especulaçào. Saraiva Filho 30/12/08
Volto a está página, desta vez usando a primeira pessoa do singular, depois de uma longa ausência, por motivos pessoais, e encontro o mundo, como sempre, virado de cabeça para baixo. A grande oscilação das bolsas de valores como indicador da vida econômica internacional em crise, desestabilizando a maior potência me fez cair o queixo, estupefato nessa estrondosa reviravolta mundial, que o nosso Presidente insiste em dizer que estamos imunes.
Como se estivéssemos blindados à globalização, o Brasil, aonde tudo chega com atraso no tempo, fora o outro atraso que por aqui permeia, já começa a sentir os efeitos da recessão nos Estados Unidos, com a quebra de financeiras e empresas de maior porte. Como bom cão vira-lata vai se safando do jeito que pode, diante de uma autoridade policialesca que os americanos do norte têm sobre a comunidade internacional.
A idéia de que se trata de mais uma crise nos dá a impressão que é algo passageiro, voltando depois ao normal, quando, na realidade, enfrentamos, desta vez de frente, uma mudança radical no modo de vida de as pessoas e as instituições. Perdemos a inocência do subjugo americano, diante de novos mercados dos países chamados emergentes e o comando político internacional, ao nos defrontarmos com potências como a Índia, a China, o México e o próprio Brasil, sem falarmos na União Européia.
Por outro lado encontrei o mundo às voltas com o segundo turno das eleições em algumas capitais, em um jogo rasteiro parecido com uma desputa pela presidência de times de futebol. Vale tudo. Desde traficantes elegendo prefeitos e vereadores até a máfia dos evangélicos no estilo bispo Macedo interferindo na vida pública, como acontece com a gestão de suas igrejas e com a conivência do povão analfabeto ou ameaçado pela ponta das AR-15.
Encontro até o policial que se sentiu ameaçado por um cão vira-lata e atirou no pobre cachorro, que, para sua surpresa, era benquisto na comunidade onde vivia e foi socorrido por moradores para uma cirurgia veterinária paga pelos comerciantes cotizados, do local. Uma ação beneficente em meio a esse tumulto desenfreado, no caldeirão de agruras e alegrias que compõe a contradição da vida, na sua beleza e efuzividade.
Quisera eu não ter mais de suportar os inúmeros candidatos a celebridade, pontificando nas revistas e nas reportagens em busca de um reconhecimento público a que não têm direito, por falta de base de sustentação, como os BBB da vida.Mas, com a mente descansada, volto a me enfronhar nesses assuntos cotidianos, na esperança de partilhar minhas angústias, alguns sentimentos nobres e a desfaçatez de alguns, diante da vida.
Saraiva Filho 24/10/08
O Presidente Lula assinou o decreto que estabelece o cronograma de implantação da chamada reforma ortográfica da Língua Portuguesa, ocorrendo a ironia desse ato ser perpetrado por uma das pessoas que mais fala errado o Português. Com o objetivo da Unificação da escrita dessa língua nos oito países lusófonos, ficou estabelecido que no Brasil e em Portugal o Acordo Ortográfico entrará em vigor em janeiro de 2009, podendo as normas ortográficas nesses países serem usadas até 2012, para efeito de exames escolares, concursos públicos e em vestibulares.
Alguns escritores famosos como José Saramago e Carlos Heitor Cony já se posicionaram contra a adoção desse acordo em suas obras literárias e muitos outros, menos famosos, sem holofotes e no seu anonimato, também, continuarão escrevendo com a grafia antiga. Os objetivos dessa Unificação só tem significado para o mercado editorial, aliás, uma brecha bem lucrativa, pois, na prática as insurreições do intelectuais, dos escritores comerciais e até dos jornalistas apagará essa pretensão de reforma da Língua Portuguesa.
Com exceção das editoras, quem está feliz com a reforma são os gramáticos, que ganharão edição nova de seus livros, satisfeitos com essa mudança inócua. Unificar pra ter maior divulgação da língua e “agregar geografia”, nas palavras de um acadêmico da ABL – Academia Brasileira de Letras – não faz sentido, de vez que continuaremos como uma Língua de pouca aceitação em termos mundiais e não será essa nova posição que irá mudar os fatos.
Por outro lado, há toda uma construção paralela do Português na internet, o mais poderoso meio de comunicação escrita da atualidade, que utiliza um palavreado próprio, abreviado, utilizando, na grafia, os sons das palavras. Esse confronto de língua erudita e língua popular vem se desmanchando com o passar do tempo, com a máxima que o importante é comunicar, não importa por que meio escrito ou falado.
O surgimento dos livros feitos por SMS, essas mensagens de texto muito usadas nos celulares e também nos computadores, amortece esse virtuosismo da Língua, inclusive com a adoção de vários termos em inglês, a linguagem da informática. Com o crescimento dos e-books – aí vai um exemplo – os livros em papel vão perdendo espaço ao longo do tempo, mesmo, ainda, havendo a geração saudosista do suporte tradicional na mão, do cheiro, do carinho antiquado e até da carícia nos livros em papel.
Essa geração começa a se extinguir e a leitura na tela começa a ganhar corpo, podendo os livros ser guardados em arquivos virtuais, desaparecendo até a biblioteca tradicional, com o advento de uma nova profissão: o bibliotecário virtual. O comércio já aderiu às vendas por meios da informática e muitas outras atividades seguirão esse caminho, pouco importa em que tipo de português serão transmitidas as mensagens, desde que haja a consecução dos objetivos.
Esse adiamento para 2012 enfraquece o propósito de mudança e nos três anos de adaptação muitas alterações advirão, contrariando mais essa modificação de pouco significado na vida diária das pessoas. Os livreiros estão exultantes, não se sabe por quanto tempo, pois o que é certo vem sendo a rejeição tácita e expressa a essa reforma sem significado prático.
Saraiva Filho 30/09/08
A literatura contemporânea, a partir dos anos 90, configurando-se, com maior intensidade, nos primeiros anos deste milênio, apresenta uma nova face, com mudanças substanciais que modificam a estrutura narrativa e ensejam uma outra forma de contar histórias, diferente do modo existente no restante do século XX. Isto não significa que atuais escritores tenham todos assumido essa nova estrutura, pois há, ainda, aqueles que ainda utilizam a antiga forma que consagrou o movimento modernista de 22, no Brasil e o modernismo, em época anterior, no mundo, subsistindo até nossos dias.
Escreve-se, ainda, de forma linear contando fatos seguidos e de forma separada por capítulos, atendo-se o escritor ao título do capítulo, contando por partes estanques o desenvolvimento de cada personagem na história. Uma estrutura tradicional, que vem sendo abandonada, também, em função de novas tecnologias, como os romances contados por mensagem de texto, pelo celular, muito usada no Japão e na França.
Em especial no Romance, assim como em alguns contos, são escritas histórias, atualmente, com um entremear de fatos, como em uma colcha de retalhos com unidade. Passa-se de um assunto ao outro no texto do mesmo capítulo, sem perder o fio da meada, com maestria, retomando a passagem do personagem pelo livro, em outro momento, sem abandoná-lo.
Livros como Amor em Minúscula, de Francesc Miralles, O Homem Lento de J. M. Coetzee, prêmio Nobel de Literatura, em 2003, e O Homem no Escuro, de Paul Auster são exemplos dessa nova maneira de escrever, sem falar no livro do Coetzee, posterior ao citado, traduzido como Diário de um Ano Ruim. Este livro se propõe a fazer filosofia em forma de ensaio, paralelamente, ao contar, em pé de página os fatos narrativos do romance.
Ele o faz de maneira diferente a Milan Kundera em seu A Insustentável Leveza do Ser, onde há uma separação entre o ensaio filosófico e a história contada, fazendo com que o leitor não interessado em filosofia aplicada pule essa parte. Desse modo, fica “massudo”, inconveniente até, essa intenção declarada do autor de misturar texto filosófico com o simples contar de uma história.
Isso não acontece em Coetzee, pois a parte principal do romance é o ensaio e como adendo, separadamente, no final de cada página, em fonte diferente, narra os fatos que ensejam a história, propriamente dita, do livro. São formas diferenciadas de contar uma história dentro da história no mesmo volume, que prendem a atenção do leitor que nunca sabe o que se segue no parágrafo seguinte.
Não há a previsibilidade do romance linear em que fica definido, a priori, sobre qual personagem o escritor vai falar, tornando cansativa e pesada a leitura, como acontece nos folhetins televisivos, chamados, no Brasil, de novelas. Esses exemplos são formas inovadoras de fazer literatura de ficção, buscando no talento dos escritores a mesclagem de histórias.
Na mesma história de forma seguida e inteligente, sem necessitar dos artifícios editoriais de mudança de assunto, como o distanciamento dos parágrafos ou a separação gráfica por linhas ou seqüencias de asteriscos, o escritor contemporâneo usa de seu talento para não se perder, “degringolando” a história. Mas é preciso ter talento mesmo, muito exercício, bastante estrada percorrida, para se escrever dessa nova forma.
Saraiva Filho 24/09/08
O continente africano, quase sempre alvo de ajuda paternalista pelos países ricos, agora é objetivo de uma ajuda com sustentabilidade. Essa é a proposta do Presidente Lula anunciada no evento da ONU sobre o desenvolvimento da África.
Essa proposta brasileira está centrada em dois pontos básicos: a produção de biocombustível e a eliminação das barreiras comerciais que impedem o desenvolvimento agrícola do continente. Quanto ao biocombustível, o dilema entre a produção de alimentos e de biocombustível é falso, pois há lugar para ambos, desde que cultivados com responsabilidade e equanimidade, sem deixar que a ganância em ganhar dinheiro mais rápido suplante o abastecimento alimentar.
As barreiras comerciais não declaradas, mas existentes, necessitam para sua eliminação de uma aliança de países interessados no desenvolvimento do continente e deve ser buscado pelos próprios africanos, que são os que mais entendem de África. Há, porém, que se convir que o sistema de governo dos países africanos se baseia, em sua maior parte, em princípios tribais não consentâneos com o modo de vida contemporâneo, provocando disputas inócuas e desentendimentos bairristas, geralmente, com base em princípios religiosos.
Por outro lado, há toda uma herança colonialista, pode-se dizer recente, que enfraquece a iniciativa dos africanos, sempre habituados a esperar ajuda de fora para dentro, uma ajuda interesseira e exploradora das riquezas naturais do continente. A parceria tão desejada e requerida dos países ricos não se fará pelos caminhos tranqüilos da benevolência, com aquela visão romântica do Presidente brasileiro, mas na disputa, palmo a palmo de horizontes mais largos para os países africanos.
Essa disputa atrairá a consequente divisão de poder e perda de mercado interno dos países ricos, posição, no mínimo, desagradável para estes países. Lutas diplomáticas terão que ser travadas e se as nações africanas não se unirem em bloco político e econômico jamais conseguirão seus objetivos de desenvolvimento.
Se continuarem a contar com “ajudas” externas, permanecerão no atraso e na miséria em que vive sua população, devendo contar com governos que se unam como uma espécie de frente africana para o desenvolvimento. Somente dessa maneira, lutando sempre, conseguiram algum saldo positivo no concerto das nações no mundo, pois, realisticamente, nenhum país vai ceder parte de seu poder no mundo, para a inclusão da África como um continente economicamente independente.
Saraiva Filho 23/09/08
O termo democracia é, na maioria das vezes, usado de forma indevida, provocando uma grande confusão na sociedade, que busca direitos que não lhe pertencem ou utiliza o termo em qualquer situação que favoreça um argumento. No caso dos bens culturais, democratizar significa dar aceso e oportunidade a quase todos os integrantes de uma nação aos bens produzidos pela sociedade.
Quase todos, de vez que a maioria, por ignorância ou descaso, não se interessa pela cultura e pela arte que faz pensar, como a chamada arte erudita e a contemplação arquitetônica e existencial de museus e costumes, como os gastronômicos, de nosso povo. Haveria necessidade de uma conscientização nacional em torno dessa questão, mesmo em um país de desigualdades repugnantes.
Para tornar democrático o acesso aos bens culturais há a necessidade de uma espécie de infra-estrutura intelectual que precisa ser cultivada. Torna-se difícil entender isso, em um país de cerca de 18 milhões de analfabetos, tendo uma frágil escolaridade e toda uma carapuça de desinformação, nos mais diversos níveis sociais, principalmente no enorme interior nordestino, sem falar nos recônditos lugares do sul do país.
Além do mais, é necessário um conhecimento global da cultura ocidental e oriental, criando uma visão geral que atenda a um entendimento de processos culturais locais. Não é possível fazer o caminho inverso da cultura local para a geral, promovendo ações culturais populares e isoladas e exigir que a população tenha livre consciência de nossos bens culturais.
Há que se considerar, também, que a cultura produzida no sul, mais especificamente, no Rio Grande do Sul, espalhando-se por outros Estados sulistas, é totalmente diversa e desconhecida do resto do país, sem que essa integração tenha sido fortalecida. É um outro mundo cultural, em nome do qual são buscadas ações separatistas, há longos anos, um ideal que nunca morreu apenas se acalmou.
Abrir oportunidades para que as pessoas deste país conheçam e se integrem a seus bens culturais está quase na mesma proporção de facultar ao público o conhecimento existente na NASA sobre o Cosmos ou seus programas de conquistas, a pessoas comuns. De nada adianta se falamos para leigos que precisam ser preparados antes, na escola, em programas especiais e de outros modos, para receberem a carga de conteúdo que irão encontrar pela frente, quando tiverem o acesso devido a esses bens.
Essa preparação é indispensável para entender os ready-made de Duchamp, assim como o arroz de cuxá nordestino, em especial do Maranhão e não se sentir deslocado ou atônito, pelo desconhecimento do que se trata. Esse acesso aos bens culturais não é somente físico, através da presença das pessoas, mas requer todo um conglomerado de conhecimentos aprendidos, para não se ter que usar o dito popular “burro olhando para palácio”.
Saraiva Filho 22/09/08
O Ministro da Educação deseja criar uma comissão para discutir as diretrizes curriculares dos cursos de comunicação social, em especial a habilitação jornalismo, da mesma forma que já ocorreu com os cursos de Direito e Medicina. A profissão de jornalista sempre causou espécie por ter que falar de tudo e não ter estudado o jornalista nada específico, embora haja as disciplinas de diversas Editorias.
A proposta do Ministro inclui uma questão bastante polêmica que é a possibilidade de um profissional de qualquer área cursar mais dois anos de jornalismo e poder exercer a profissão. Seriam cursos de especialização em jornalismo, cujo debate, conforme o Ministro, o aprofundamento da questão, seria interessante para a melhoria do exercício profissional, de vez que seriam verificadas quais as competências que precisam ser adquiridas por um profissional de outras áreas, para que também, possam participar da mídia, como profissionais.
A reação dos jornalistas, é evidente, foi a pior possível, inclusive o Presidente da Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ, Sérgio Murilo Andrade diz que o debate vem em momento inoportuno de vez que o Supremo Tribunal Federal, dentro de poucas semanas, deve julgar ação que garante a regulamentação da obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão. Argumentação fora de propósito, considerando que os formados em outras áreas, também, terão um diploma de jornalismo, em um curso de pós-graduação em jornalismo, não se discutindo o diploma, mas a competência para cobrir, na mídia, assuntos de seu conhecimento específico em sua área de atuação.
O mesmo presidente da federação vem com outros argumentos absurdos como: “Um advogado vai estudar cinco anos, se formar, estudar jornalismo por mais dois anos e entrar em uma redação para ganhar R$1.2 mil, subir o morro e levar tapa de bandido?”. É bastante claro que isso não vai acontecer, constatando-se que um profissional de outra área não vai ser repórter, nem vai substituir este, mas tratar do motivo da desenvoltura do bandido, no exemplo, sob a luz da Criminologia, detectando os direitos e garantias do cidadão, em função do Ordenamento Jurídico nacional, como é o caso recente das algemas.
O que existe de informação errada nos campos específicos, como o Direito, a Medicina e nas áreas científicas, desinformando o receptor dos meios midiáticos, até nas imagens é de assustar qualquer profissional. A culpa não é do jornalista que fez a matéria, mas de quem deixou passar tanta comunicação esdrúxula. Isso seria corrigido, com a aceitação como jornalistas dos próprios profissionais da área enfocada e que gostam de escrever ou fotografar e não uma simples entrevista, geralmente, cortada no lugar errado, mal interpretada pelo repórter e enviada assim mesmo para a mídia.
Não há motivo para que os jornalistas temam a sua reserva de mercado funcional, pois continuarão a existir jornalistas ganhando pouco e “levando tapas de bandidos”. Não é uma questão de troca de profissão, mas uma profissão a mais, como, hoje, fazem profissionais de outras áreas em assuntos de sua competência exclusiva, autorizados por lei, para produzir informação, sem perder tantos talentos na comunicação, mais capacitados até que muitos jornalistas.
Saraiva Filho 21/09/08
Um totalitarismo externamente não escandaloso se veste de democracia na Venezuela, para perpetuar o poder do Sr. Hugo Chávez. A Human Rigths Watch – HRW, - Sentinela dos Direitos Humanos, em tradução livre – uma ONG que se ocupa da preservação dos direitos humanos no mundo, foi expulsa do país venezuelano, sob a acusação de se intrometer nos assuntos internos dessa nação.
Essa é mais uma demonstração de Hugo Chávez por sua devoção ao totalitarismo, como outras, como a que tentou tornar elegível o presidente da República por tempo indeterminado, sempre sob o comando de eleições viciadas. A ONG em questão apresentou um relatório, em um hotel em Caraça, com 267 páginas, no qual criticou o “desprezo” do Presidente Chávez por direitos fundamentais, com o título “ Uma Década de Governo Chávez: intolerância política e oportunidades perdidas para o progresso dos direitos humanos”.
Com a manifesta picaretagem que têm as ONG´s, de um modo geral, com algumas exceções, há de se convir que algumas delas prestam relevantes serviços à causa da humanidade, como é o caso da HRW, denunciando, por parte de Chávez o real desrespeito pelo princípio da separação de poderes e debilitando as instituições democráticas. Em especial, é o caso do Poder Judiciário, cooptado e neutralizado como poder independente do Executivo, fazendo com que o julgador de direitos abdicasse de seu papel de controlador da ação arbitrária do Estado.
Por outro lado, há as políticas discriminatórias para limitar o direito de expressão dos jornalistas e o direito à liberdade sindical dos trabalhadores, sem contar o fato de ter atentado contra a liberdade de expressão, objetivando mudar o controle e o conteúdo dos meios de comunicação, inclusive estatizando-os. A reação de Hugo Chávez foi a da força, expulsando os representantes da ONG e os acusando de atentar, contraditoriamente, contra a democracia.
Aliás, a palavra democracia rola na boca dos políticos como refeição sem sabor e é usada, como nesse exemplo, para qualquer finalidade, como o faz o Presidente Lula em suas assertivas inconseqüentes, manipulando o conteúdo do termo, a seu bel prazer. Como no caso Daniel Dantas, no mensalão e em várias outras ocasiões, acusou a oposição de desestabilizar as instituições democráticas, frustrando a possibilidade de serem apuradas as reais causas dos desmando do presidente e seu partido.
Tem-se a impressão de que a América Latina, por seu subdesenvolvimento, também, político, tem a sanha da ditadura, tatuagem sempre presente em momentos de crise ou não e isso só pode ser alterado pela mudança de cultura política do povo sulista, nas Américas.
Saraiva Filho 19/09/08